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Animação de Wes Anderson abre o Festival de Berlim nesta quinta-feira

14/02/2018 23h29

Gemma Casadevall.

Berlim, 14 fev (EFE).- O filme "Ilha de Cachorros" será responsável por inaugurar nesta quinta-feira o Festival de Berlim, que contará com a denúncia do escândalo de abusos sexuais que abala o mundo do cinema, embora sem deixar que isso eclipse totalmente as estrelas sobre o tapete vermelho.

A história de um menino de 12 anos que parte em busca de seu cachorro, deportado por um prefeito corrupto, é a segunda passagem de Wes Anderson pelo cinema de animação, com a qual abrirá a série de 19 candidatos aos Ursos. O júri será presidido pelo diretor alemão Tom Tykwer.

Esta será a primeira vez que o evento será aberto com uma animação, dublado na versão original por Bill Murray, Edward Norton, Scarlett Johansson, Tilda Swinton e Frances McDormand.

Também representará o retorno a Berlim de Anderson, que em 2001 competiu com "Os Excêntricos Tenenbaums", em 2004 com "A Vida Marinha com Steve Zissou" e em 2014 com "O Grande Hotel Budapeste", que rendeu o prêmio especial do júri.

Para os dias seguintes se espera a presença de atores como Robert Pattinson, Joaquin Phoenix e Isabelle Huppert, à frente de filmes candidatos a prêmio. Willem Dafoe receberá o Urso de Ouro de Honra do festival.

Não prosperou a iniciativa impulsionada na internet pela atriz alemã Claudia Eisinger, que pedia para que o tapete vermelho deste ano fosse tingido de preto em forma de protesto contra os abusos sexuais, mas a organização do evento se propõe a abordar a campanha #MeToo em várias sessões de debate.

O diretor do festival, Dieter Kosslick, que há algumas semanas revelou que tinha descartado cineastas confessos de casos de assédio sexual, precisou dar explicações por conta da inclusão na seção Panorama do filme "Human, Space, Time and Human", do sul-coreano Kim Ki-duk.

Uma atriz acusa o diretor de tê-la obrigado a interpretar duras cenas de sexo e violência não incluídas no roteiro do filme "Moebiuseu", mas Kosslick lembrou que essas acusações foram rechaçadas pela justiça coreana no ano passado.

A lista de candidatos aos Ursos inclui nomes de peso como os franceses Cédric Kahn e Benoît Jacquot, assim como novos talentos como o paraguaio Marcelo Martinessi e o mexicano Alonso Ruizpalacios, únicos representantes do cinema latino-americano.

Ruizpalacios volta à Berlinale com "Museo", protagonizado por Gael García Bernal, depois de ter vencido em 2014 o prêmio de melhor estreia com "Güeros".

Martinessi competirá com o seu primeiro trabalho, "Las herederas", filme apoiado por recursos de ajuda ao cinema jovem da Berlinale.

Junto a "Ilha de Cachorros", concorrerão pelos Estados Unidos "Damsel", de David Zellner e interpretado por Robert Pattinson, e "Don't Worry, He Won't Get Far on Foot", de Gus Van Sant, com Joaquin Phoenix.

A Alemanha compete com quatro filmes: "Transit", "In deem Gängen", "3 Tage in Quiberon" e "Mein Bruder heisst Robert und ist ein Idiot".

A Noruega apresentará "Utoya", focado nos atentados do ultradireitista Anders Behring Breivik, enquanto a Suécia competirá com "Toppen av ingenting", de Mans Mansson, e a Itália estará na competição com "Figlia mia", de Laura Bispuri.

Fora de concurso, mas também na seção oficial, será exibido "7 Dias em Entebbe", de José Padilha, que ganhou o Urso de Ouro em 2008 com "Tropa de Elite" e agora chega com a história do sequestro em 1976 de um avião da Air France que voava de Tel Aviv a Paris.

Serão exibidos cerca de 400 filmes nas diversas seções do festival, que ao contrário do mais elitista Cannes faz jus à reputação de ser popular e coloca 300 mil ingressos à venda.

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