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Zumbis, musas gregas e um navio negreiro agitam sambódromo de São Paulo

10/02/2018 08h21

Carlos Meneses Sánchez.

São Paulo, 10 fev (EFE).- De um navio de escravos negros que navega ao ritmo do samba até musas gregas e ícones do cinema de terror que cantam a felicidade, no carnaval de São Paulo todo o inimaginável é possível e se tornou realidade nesta sexta-feira no sambódromo durante o desfile das suas primeiras escolas.

"O meu filme traz cenas de pavor a cada instante. É tempo de feitiçaria, a magia está no ar", cantavam em uníssono as mais de 2.500 pessoas que fizeram o desfile da Independente Tricolor, que abriu a noite no Sambódromo do Anhembi.

O enredo começou com cavaleiros templários acompanhados por uma corte real transformada em zumbi e aos quais se seguiram no mesmo compasso todo tipo de monstros.

Não faltaram hordas de Drácula, Hannibal Lecter, Freddy Krueger, Jason Voorhees ou Nosferatu que dançaram com paixão para defender o enredo batizado como "Em cartaz: Luz, câmera e terror. Uma produção Independente!".

"Morro de medo de filmes de terror, o nosso grupo está bem aterrorizante, até me dá um pouco de medo", disse à Agência Efe Talita Lima, de 23 anos, pouco antes de percorrer, vestida com uma espetacular fantasia de anjo negro, os 530 metros do sambódromo.

A escola, surgida da torcida organizada São Paulo, quis homenagear com esta ode ao terror o cineasta José Mojica Marins, mais conhecido como Zé do Caixão.

Depois da Independente Tricolor entrou na avenida a Unidos do Peruche, que homenageou o cantor Martinho da Vila, presente em corpo e alma com seus quase 80 anos no alto de um carro alegórico.

Com a Acadêmicos do Tucuruvi chegou o momento mais emocionante da madrugada já que a escola teve que reconstruir em tempo recorde suas fantasias depois que um incêndio no início de janeiro destruiu quase todas elas.

Só se salvaram 400 dos mais de 2.000 trajes que estavam prontos para brilhar no sambódromo paulista.

Mas, como se tratasse de uma ave fênix, a Tucuruvi soube refazer-se a tempo e fez bonito na avenida com um universo repleto de arte e história ("Uma Noite no Museu") que levou o público em uma viagem pelas principais galerias do mundo de hoje e ontem.

A viagem começou na antiga Biblioteca da Alexandria, onde os deuses gregos, como Apolo, se entrelaçaram com exultantes musas que usavam como traje suas próprias peles cobertas com spray.

Em seguida entrou em cena Nabucodonosor, rei da Babilônia, e pouco depois Napoleão para apresentar as obras mais emblemáticas do Museu do Louvre, entre elas a Mona Lisa.

A chuva de confete chegou pelas mãos da Mancha Verde, cujos membros prestaram homenagem ao Fundo de Quintal, o maior grupo de samba do Brasil.

Por sua vez, com a intenção de repetir o título do ano passado, a Acadêmicos do Tatuapé entrou na avenida para homenagear o estado do Maranhão.

Os mais de 3.000 componentes da escola enrouqueceram cantando seu samba em um mar de azuis e brancos pelos quais navegou um espetacular carro alegórico de 35 metros que emulou um navio negreiro, como os tantos que chegaram no passado ao litoral Maranhão procedentes da África.

Presos com enormes correntes douradas, grandes estátuas de escravos fundiam-se com os dançarinos que dançavam de maneira desenfreada para nunca esquecer as (sofridas) raízes do estado e do país.

"Tantas batalhas nesse torrão, herança de luta, cultura e amor. Oh! O negro tanto clamou a liberdade aos pés do senhor", cantou a escola.

Fecharam a noite, de quase oito horas, a Rosas de Ouro, que misturou o samba com sertanejo e levou à avenida a vida dos caminhoneiros, e a Tom Maior que contou a história de Leopoldina, primeira imperatriz do Brasil no século XIX.

Na madrugada deste domingo será a vez das outras sete escolas do Grupo Especial: X-9 Paulistana, Império, Mocidade, Vai-Vai, Gaviões da Fiel, Dragões da Real e Vila Maria.

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