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Rara Bíblia poliglota e outros textos sagrados são expostos na Suíça

Reprodução
A rara Bíblia poliglota de Alcalá de Henares Imagem: Reprodução

Isabel Saco

Genebra (Suíça)

26/01/2018 06h01

A primeira Bíblia poliglota da História foi concebida e impressa em Alcalá de Henares, na Espanha, e um exemplar raríssimo da sua primeira edição (de 1517) está na Fundação Martin Bodmer, exposta entre mais de 100 peças fundadoras da escrita e da literatura universais.

Apresentada simultaneamente em hebraico, grego, latim e caldeu, essa bíblia foi o único texto autorizado para a fé católica no Concílio de Trento (1546), e a seu lado é exposta uma tradução do Corão para o latim encomendada por Pedro, o Venerável (França), no século X, com o fim único de combater o Islã.

Peças que representam as origens da escrita, as primeiras edições dos textos sagrados e dos clássicos da literatura universal, junto com histórias de diversas origens e mundialmente conhecidas, traçam as "Rotas da Tradução", título escolhido pela Fundação Bodmer para a exposição em cartaz em Genebra.

"A tradução é a ponte que leva os textos da cultura na qual nasceram até outras, e os livros que apresentamos atravessaram épocas diferentes e idiomas até chegarem até nós", explicou à Agência Efe o vice-diretor da Fundação e um dos curadores da exposição, Nicolás Ducimetière.

Aproveitando a riqueza da Coleção Bodmer, os organizadores optaram por repassar mais de 2.500 anos de história da escrita, e para isso apresentam desde textos literários do antigo Egito até a novela "Heidi" (Suíça) - em uma das suas 500 edições em japonês - ou as aventuras de "Tintin" (Bélgica), traduzidas para 200 línguas.

Por falta de espaço, foram escolhidos alguns dos exemplares mais sugestivos entre as bíblias em 112 línguas da Fundação, como a edição em cherokee ou o evangelho de São Mateus em bugi (língua da ilha de Célebes, Indonésia) e em susu.

Esta última língua, falada atualmente por 4 milhões de pessoas em Serra Leoa e Guiné, foi a primeira do universo de línguas da África subsaariana para a qual foi traduzida uma parte da bíblia, em 1816.

A primeira tradução completa da bíblia em chinês (1815) e em russo antigo (1580) também constam na exposição que ficará aberta até o dia 25 de março.

À medida em que o visitante percorre a mostra, percebe que a tradução se transformou na passarela da história da Humanidade que uniu povos e culturas, em contraposição à Torre de Babel, onde, segundo o relato bíblico, os seus construtores começaram a falar diferentes idiomas.

A Fundação Bodmer põe em evidência a riqueza da diversidade linguística em relação à pretensão de uma "língua unificadora", como poderia ser considerada hoje em dia o inglês, bem como das rotas que seguiu a tradução, que são ao mesmo tempo aquelas do poder e da cultura.

Ducimetière relatou como contra a ameaça do reducionismo linguístico se têm reforçado no último meio século as línguas regionais, não só através do seu ensino no sistema escolar, mas também através de esforços de tradução e de editoras.

"Podemos entender isto como um reflexo de aspirações nacionais e regionalistas de recuperar um patrimônio e enfrentar modelos únicos. Com cada língua que se apaga há toda uma cultura que morre", afirmou.

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