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Vietnã redobra esforços para controlar internet

22/01/2018 10h01

Eric San Juan.

Ho Chi Minh (Vietnã), 22 jan (EFE).- O aumento da contestação dos cidadãos em blogs e redes sociais obrigou o regime socialista do Vietnã a redobrar esforços para controlar os conteúdos na internet, e para tanto procura a colaboração de grandes empresas como Google e Facebook.

Uma das medidas mais extravagantes foi a criação em dezembro da chamada Força 47, uma unidade militar de 10 mil agentes que pretende combater os "pontos de vista equivocados" na rede.

"O objetivo é proteger as opiniões do Partido Comunista. O que significa que querem controlar a opinião pública na internet", explica à Agência Efe o ativista político Nguyen Chi Tuyen.

Tuyen, acostumado a compartilhar visões críticas ao governo nas redes sociais, afirma, no entanto, que nem ele nem seus colegas ativistas esperam que esta nova unidade lhes traga problemas adicionais.

"Antes da criação da Força 47, o Departamento de Propaganda admitiu que conta com milhares de 'formadores de opinião'. E apesar disso, nos últimos anos publicamos o que achamos oportuno", afirmou o ativista, consciente de que a difusão de opiniões dissidentes aumenta o risco de prisão.

A Human Rights Watch (HRW) estima que pelo menos cem pessoas estão presas por motivos ideológicos ou religiosos em todo o país.

Ao contrário da China, que bloqueia sites como Facebook, YouTube, Twitter e Instagram, o Vietnã mantém uma liberdade de navegação, mas tenta restringir o crescente número de vozes dissidentes com mais vigilância e, segundo a HRW, "perseguindo ativistas que formam opinião".

O Facebook, a rede social mais popular, sofreu tentativas de censura estatal durante seus primeiros anos no Vietnã, mas a falta de meios do regime e a habilidade dos internautas para burlar os controles permitiram ao site se expandir e alcançar os 64 milhões de usuários entre uma população total de 95 milhões de habitantes.

O ex-primeiro-ministro Nguyen Tan Dung reconheceu em 2013 que era impossível proibir a rede social criada por Mark Zuckerberg e que o governo deveria utilizá-la a seu favor para divulgar suas próprias informações.

"Todos têm o Facebook em seus telefones, não podemos proibi-lo", disse Dung aos membros do seu gabinete.

A estratégia adotada desde então foi a negociação para conseguir a colaboração das empresas.

No dia 11 de janeiro, o Ministério de Informação anunciou que o Facebook eliminou 670 contas que são falsas ou divulgam "propaganda antigovernamental", embora tenha mantido mais de 4 mil contra o critério do regime.

A empresa americana, criticada pelo governo nos últimos meses por não ser "cooperativa", se comprometeu a colaborar com o regime socialista para construir um "ambiente cibernético saudável".

O YouTube (que pertence ao Google) foi mais receptivo às exigências do governo ao eliminar durante o ano passado 4.500 dos 5 mil vídeos assinalados como "tóxicos" pelas autoridades.

Um executivo de uma agência de publicidade de Ho Chi Minh (antiga Saigon) revelou à Agência Efe como o Partido Comunista recorre a pressões econômicas para conseguir seus propósitos.

"O YouTube é muito eficaz para promover produtos no Vietnã, mas entre março e julho do ano passado, vários dos nossos clientes nos pediram que deixássemos de usar esse canal porque queriam manter uma boa relação com o governo", comentou o executivo, que prefere não falar o seu nome.

"Só quando o YouTube começou a apagar vídeos antigovernamentais os nossos clientes aceitaram voltar a anunciar nesse canal", relatou.

Além da blindagem contra a dissidência no interior do país, o Vietnã também tem montado guarda contra possíveis ciberataques estrangeiros, com a criação de um "cibercomando", dependente do Ministério da Defesa para proteger a soberania nacional na internet e evitar o roubo de dados militares.
 

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