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Mulheres de Hollywood entram em guerra contra abusos

22/12/2017 22h03

Los Angeles, 22 dez (EFE).- Dois meses depois de surgirem as primeiras acusações de abuso sexual contra Harvey Weinstein, um dos produtores mais poderosos de Hollywood durante décadas, o que parecia um caso isolado se transformou em uma avalanche de denúncias, cujo principal símbolo é o movimento #MeToo.

Rose McGowan e Ashley Judd foram as primeiras vítimas de Weinstein conhecidas, mas logo depois se uniram Angelina Jolie, Gwyneth Paltrow, Asia Argento, Mira Sorvino, Rosanna Arquette, Cara Delevingne, Léa Seydoux e Kate Beckinsale.

A mais recente, a mexicana Salma Hayek, assegurou que Weinstein inclusive a ameaçou de morte.

E muitas estrelas do cinema criticaram a atitude depredadora de Weinstein, como Emma Thompson, Emma Watson, Colin Firth, Meryl Streep, Kate Winslet, Jennifer Lawrence, Jessica Chastain, Cate Blanchett, Mark Ruffalo, George Clooney, Christian Slater, Penélope Cruz e Jane Fonda.

Tudo isso deu força ao movimento #MeToo, que motivou centenas de testemunhos contra membros da comunidade cujo futuro na indústria está por um fio.

Os integrantes desse movimento, na maioria mulheres, foram escolhidos recentemente como Pessoa do Ano pela revista "Times".

A publicação considerou que as pessoas que romperam o silêncio sobre este tema tabu dominaram a atenção neste ano e conseguiram que a sociedade deixe de ver como "aceitável" o "inaceitável", assegurou o editor-chefe da revista, Edward Felsenthal.

O caso Weinstein desatou uma onda de denúncias contra outras figuras do cinema, em muitas ocasiões por casos que ocorreram há anos e ficaram em silêncio.

O mais famoso no mundo do cinema após o de Weinstein foi o de Kevin Spacey. Este foi seguido por John Lasseter, Brett Ratner, Louis CK, Dustin Hoffman, James Toback, Jeffrey Tambor, Geoffrey Rush, Steven Seagal, Danny Masterson, Tom Sizemore, Jeremy Piven, Matthew Weiner e Ed Westwick.

E as consequências não demoraram para surgir.

Spacey, que reconheceu sua homossexualidade ao mesmo tempo que se desculpou por ter presumivelmente abusado do ator Anthony Rapp quando este tinha 14 anos, foi demitido da série "House of Cards" e eliminado da montagem final de "All the Money in the World" ("Todo o dinheiro do mundo").

Lasseter, chefe-criativo da Pixar e da Walt Disney Animation Studios, anunciou se afastaria por seis meses após reconhecer comportamentos fora de lugar e que se excedeu com seus funcionários.

A Warner Bros. rompeu relações com Ratner depois de serem reveladas acusações de agressão sexual contra eles e Danny Masterson foi demitido pelo Netflix da série "The Ranch" após ser acusado de estupro por três mulheres.

Todos os acusados, em maior ou menor grau, viram suas carreiras afetadas, da mesma forma que as vítimas, como reconheceu o cineasta Peter Jackson, que recentemente lembrou que quando preparava seu projeto de "O Senhor dos Anéis" com Weinstein como produtor, lhe pressionaram para que não contratasse Mira Sorvino e Ashley Judd.

"Eu apoio as vítimas em 100%", disse a Efe a atriz Jessica Chastain, que assegurou que faria tudo o que estivesse em suas mãos "para amplificar suas vozes porque qualquer um que se atreve a denunciar um assédio sexual ou um abuso sexual está arriscando tudo".

Uma situação que não se limita a Hollywood, apontou à Agência Efe o cineasta mexicano Alejandro González Iñárritu, para quem "a misoginia e a estupidez do macho de pensar na mulher como um objeto é um fenômeno cultural de um primitivismo tremendo",

E enquanto o gotejamento de casos continua aumentando - já são oito as mulheres que acusaram Dustin Hoffman de abusos e agressões sexuais -, a tensão também não deixa de crescer no seio de Hollywood.

Porque muitos estavam a par do que acontecia - Quentin Tarantino assegurou que conhecia os abusos de Weinstein e que poderia ter feito mais do que fez - e porque pouco a pouco foi sendo revelado que o produtor e seu irmão Bob, todo-poderosos proprietários da Miramax, tinham pagado a modelos e atrizes pelo seu silêncio.

Portanto os protestos continuam e um grupo de atrizes pretende denunciar o machismo durante a entrega dos Globos de Ouro. Algo que, por sua vez, provocou uma polêmica depois que Ros McGowan chamou Meryl Streep de hipócrita por fazer parte desse protesto após ter trabalhado com "o porco monstro", em referência a Weinstein.

Mas, além dos protestos e das críticas, a maioria dos casos já foi prescrita. Um dos poucos que poderia ser julgado é o da atriz de origem espanhola Paz da Huerta, que denunciou perante a polícia que Weinstein a estuprou duas vezes em 2010.
 

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