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Escândalo de vazamentos e abusos sexuais abalam instituição do Nobel

Getty Images
O vencedor do Nobel de Literatura 2017, Kazuo Ishiguro Imagem: Getty Images

Copenhague (Dinamarca)

05/12/2017 17h17

A Academia Sueca, instituição que a cada ano entrega o Nobel de Literatura, se viu abalada pelas acusações contra o marido de uma de seus membros de cometer abusos sexuais e de vazar o nome de vários ganhadores do prestigiado prêmio.

Há poucos dias, 18 mulheres revelaram de forma anônima as supostas humilhações e abusos, alguns cometidos nas dependências vinculadas à academia, e três delas apontam agora que essa pessoa vazou o nome do ganhador do Nobel em público com antecedência em três ocasiões, informa nesta terça-feira (05) o jornal "Dagens Nyheter".

Trata-se da austríaca Elfriede Jelinek (2004), o britânico Harold Pinter (2005) e o francês Patrick Modiano (2014), segundo o principal jornal sueco, que aponta que o indivíduo em questão também se vangloriou de estar envolvido na concessão do Nobel em 2008 ao francês Jean-Marie Gustave Le Clézio.

Embora o "Dagens Nyheter" mantenha anonimato sobre esta "personalidade cultural", como foi batizado o homem, outros veículos de imprensa o identificaram como Jean-Claude Arnault, dramaturgo e fotógrafo francês residente na Suécia há décadas e casado com a escritora Katarina Frostenson, uma dos 18 membros da academia.

"Nada mais me surpreende sobre essa pessoa, esse bastardo. Suponho que soube pela sua mulher", disse hoje a esse jornal Peter Englund, secretário permanente da Academia Sueca entre 2009 e 2015.

As suspeitas sobre vazamentos do nome do ganhador do Nobel de Literatura aumentaram nos últimos anos, com casos chamativos como o de Le Clézio, quando a casa de apostas britânica Ladbrokes teve que fechar as previsões horas antes da decisão porque o nome do autor tinha passado de 15 por 1 para 2 por 1.

O predecessor de Englund no cargo, Horace Engdahl, disse então estar convencido de que tinha sido um vazamento, mas agora se recusou a falar sobre o caso argumentando que violaria as normas da instituição, da qual continua sendo membro.

As turbulências em torno da Academia Sueca começaram há duas semanas, com as denúncias públicas das 18 mulheres sobre abusos e humilhações cometidos entre 1996 e 2017 nas dependências da instituição em Estocolmo e Paris por Arnault, diretor de um fórum cultural apoiado economicamente pela organização.

Os rumores sobre a conduta sexual do dramaturgo não eram desconhecidos no mundo da elite cultural sueca, como admitiram personalidades como Englund, que nas redes sociais se sentiu aliviado porque o caso "finalmente veio à tona".

Dois dias depois das denúncias e após uma reunião na qual se soube que vários dos membros da Academia e familiares tinham sofrido "intimidação não desejada ou tratamento inadequado" de Arnault, a instituição cortou seus vínculos com ele e contratou uma firma de advogados para que estudasse se tinha influenciado no trabalho institucional.

Apesar das medidas adotadas, várias vozes do mundo acadêmico sueco falaram de perda de prestígio da instituição e exigiram a renúncia de Engdahl e Englund, que tinham pedido há alguns anos um salário vitalício ao Estado para Arnault.

Os acadêmicos se recusaram renunciar, afirmando que os estatutos não o permitem.

A academia anunciou, no entanto, que reforçará as regras sobre incompatibilidade como resposta às críticas que também fazem alusão a favorecimento na hora de entregar prêmios literários e bolsas de estudos.

Outras instituições afirmam que reconsiderarão seu apoio econômico ao fórum cultural de Arnault e o governo sueco chegou inclusive a falar em retirar uma condecoração real recebida dois anos atrás, embora ao final tenha reconhecido que não é possível.

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