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Exposição em Madri revela horror de campo de concentração nazista

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Hitler foi o comandante da Alemanhã nazista Imagem: Reprodução

Pepi Cardenete

Madri (ESP)

01/12/2017 12h27

Uma lata de gás Zyklon B, uma máscara de gás, um barracão, uma mesa de operações, uma mala e correspondência de prisioneiros são alguns dos 600 objetos de "Auschwitz. Não faz muito tempo. Não foi muito longe", uma mostra que estreia nesta sexta-feira (01) em Madri e que condensa o horror nazista em um espaço de 2.500 m².

"Aqueles que não se lembram do passado estão condenados a repeti-lo". A célebre frase de George Santayana abre as portas do Centro de Exposições Arte Canal, onde se concentra a história e os horrores do campo de concentração nazista mais famoso e infame e, também, o maior deles.

Apenas o Museu Estatal de Auschwitz-Birkenau, que compreende os campos Auschwitz I e Auschwitz II-Birkenau, declarado patrimônio da humanidade pela Unesco em 1979, compreende 191 hectares, sem contar o terceiro dos campos, Monowitz.

No total, o campo compreendia 40 km² da Polônia ocupada, um perímetro no qual havia outros cerca de 50 subcampos e comandos externos onde os prisioneiros eram explorados como escravos, construídos entre 1942 e 1945 nas imediações de Auschwitz.

Agora, a essência dessa vasta área que começou a ser construída em 1940 e na qual foram assassinadas cerca de 1,1 milhão de pessoas dos 1,3 milhão de deportados, chega a Madri como único destino espanhol de uma exposição internacional que viajará para outras 13 cidades europeias e norte-americanas.

"Esta exposição é uma forma de chegar às pessoas que não podem fazer uma longa viagem para visitar o Museu Estatal de Auschwitz-Birkenau", explicou à Agência Efe Piotr M.A. Cywinski, diretor do museu polonês, que ressaltou a importância deste projeto na atualidade, devido ao "crescimento do antissemitismo, da xenofobia e do neonazismo".

A exposição propõe um percurso, criado por Musealia em colaboração com o Museu Estatal e outras 20 instituições e coleções privadas, que parte não só do ponto de vista "histórico", mas também "ético": "é muito mais que fatos e dados, fala sobre a ética e a moralidade da nossa sociedade", disse Cywinski.

Assim, a exposição "Auschwitz. Não faz muito tempo. Não foi muito longe" começa na parte externa, com um vagão original utilizado pelo regime de Adolf Hitler entre 1940 e 1945 para transportar judeus, ciganos, prisioneiros de guerra soviéticos e homossexuais.

Durante as deportações para Auschwitz, 80 pessoas chegavam a ser amontoadas em cada vagão, numa superfície de apenas 20 m². Os trens retornavam sem seres humanos, mas carregados com suas posses.

É, precisamente, um desses objetos que abre a mostra: um sapato vermelho de mulher muito simbólico por sua elegância, já que evidencia que sua proprietária não sabia para onde estava sendo transferida porque, se tivesse consciência, não teria levado um calçado tão refinado, conforme explicaram fontes da organização da exposição.

"A mostra começa com o sapato porque queríamos representar a dignidade humana da vítima. Em Auschwitz, temos mais de 110 mil sapatos, mas, se estes são exibidos em uma massa, não representam a humanidade única de cada um dos proprietários desses sapatos, que têm uma história de vida a ser contada", comentou Cywinski.

Por isso, a mostra contém depoimentos de sobreviventes de Auschwitz e objetos das pessoas que passaram pelo seu inferno.

Um berço de bebê, uma manta utilizada na Marcha da Morte que partiu de Auschwitz, uma mala, uniformes, óculos, latas de leite condensado e correspondência dos prisioneiros compartilham espaço com um barracão de Monowitz e um beliche de três camas.

E, em contraposição, os uniformes e roupas de membros da SS de Auschwitz, um jogo de mesa antissemita Juden Raus, uma lata de gás Zyklon B e uma reprodução em escala real da porta usada nas câmaras de gás 2, 3, 4 e 5 do campo.

A exposição "Auschwitz", que poderá ser vista em Madri até 17 de junho de 2018, fecha o seu percurso de 25 seções - dedicadas também ao contexto histórico anterior à Segunda Guerra Mundial - com um poema de 1971 da escritora francesa Charlotte Delbo, sobrevivente do campo, para onde foi enviada por ser parte da Resistência.

"Eu suplico-vos / fazei qualquer coisa / aprendei um passo / uma dança / alguma coisa que vos justifique / que vos dê o direito / de vestir a vossa pele o vosso pelo / aprendei a andar e a rir / porque será completamente estúpido / no fim / que tantos tenham sido mortos / e que vós viveis / sem nada fazer da vossa vida".

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