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Arqueólogos concluem que o homem já fazia vinho há 8.000 anos

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A humanidade produz vinhos há 8.000 anos Imagem: Getty Images

Misha Vignanski

Da EFE, em Tblisi (Geórgia)

20/11/2017 10h00

O homem já fazia vinho há 8.000 anos, segundo concluiu um grupo de arqueólogos após analisar as vasilhas de argila encontradas em um sítio arqueológico perto de Tbilisi, a capital da Geórgia. "Agora, quando levantamos uma taça de vinho submergirmos em uma história de pelo menos 8.000 anos", disse Patrick McGovern, arqueólogo da Universidade da Pensilvânia.

Até agora os especialistas acreditavam que o vinho mais antigo datava de 7.000 anos atrás, a idade das cepas encontradas há meio século nas montanhas Zagros no Irã. Por outro lado, os arqueólogos encontraram provas da existência ainda mais antigas, concretamente do final da Idade da Pedra, depois de mais de quatro anos de trabalhos nas montanhas Gadachrili e Shulaveris, a cerca de 50 quilômetros ao sul de Tbilisi.

Eles encontraram 26 amostras de terra e 30 de fragmentos de cerâmica, pertencentes a vasilhas e recipientes, alguns dos quais podiam ter até um metro de altura e outro tanto de largura. Esses pedaços de cerâmica continham ácido tartárico, a confirmação de que os habitantes da região se dedicavam a fazer vinho, precisamente vinho branco.

"Os georgianos sempre disseram que era a cidade com a história vinícola mais antiga do mundo e agora podemos corroborar isso", comentou Stephen Batiuk, professor da Universidade de Toronto. Os antigos habitantes da região utilizavam grandes vasilhas de argila para guardar o vinho, algumas das quais podiam conter até 300 litros da bebida.

Especialistas israelenses confirmaram que essas vasilhas datam do Neolítico, o que surpreendeu a muitos, já que se pensava que nessa época o homem não tinha essa tecnologia. Eles também acreditam que os moradores da área cultivavam suas próprias uvas, embora ainda não tenham conseguido provar isso, por não serem capazes de encontrar sementes de uva no sítio arqueológico.

Além disso, os especialistas também consideram que os habitantes locais plantavam árvores frutíferas, tinham gado - ovelhas e cabras -, se alimentavam dos peixes dos rios da região e praticavam artesanato. O ministro de Agricultura georgiano, Levan Davitashvili, se disse satisfeito pelo fato de que, depois de quatro anos de pesquisas por parte de especialistas dos Estados Unidos, França, Itália, Israel, Dinamarca e Canadá, todos tenham chegado à mesma conclusão.

"A Geórgia é efetivamente o berço do vinho", destacou Davitashvili. Teoricamente as técnicas agrícolas chegaram à Geórgia de outros territórios, mas as autoridades se apressaram a anunciar que a produção do vinho nasceu neste país e de lá foi difundida para o resto do mundo. "O veredito dos especialistas é um grande acontecimento para a Geórgia. O turismo vinícola será a partir de agora ainda mais popular entre os visitantes de nosso país", afirmou à Efe Andro Aslanishvili, subdiretor da Agência Nacional de Vinho deste país do Cáucaso.

O vinho fez parte da cultura, dos hábitos sociais, do comércio e da religião nesta região do mundo desde tempos imemoráveis. Ainda hoje em dia o vinho é preparado de maneira tradicional, primeiro pisando as uvas com os pés descalços numa espécie de banco de madeira, ou "satsjaneli", o que danifica menos as sementes e evita que o suco azede. Depois o suco resultante é armazenado em cântaros, ou "kvevri", sob a terra, já que assim se conserva melhor a temperatura, segundo os especialistas.

Uma vez na mesa o vinho não pode ser bebido de qualquer maneira, já que antes de ser consumido deve ser designado um "tamadá", ou mestre dos brindes. Não pode ser qualquer um, já que deve ser uma figura respeitada por toda a comunidade e, além disso, deve ter graça natural e senso de humor, condição indispensável para garantir o sucesso da noite.

Apesar do grande consumo de vinho, os georgianos raramente se embebedam, já que enquanto bebem desfrutam da variada gastronomia nacional, muito famosa em todo o espaço pós-soviético. A Geórgia recebeu no ano passado 6,4 milhões de turistas, o dobro da sua população e nos primeiros dez meses do ano exportou 61 milhões de garrafas de vinho, 59% a mais que no mesmo período de 2016.

A produção de vinho é tão grande, que cada turista que chega ao país recebe na alfândega, logo depois de mostrar seu passaporte, uma garrafa de vinho como presente.
 

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