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Weinstein contratou ex-espiões para tentar acabar com denúncias, diz "NYT"

07/11/2017 15h25

Nova York, 7 nov (EFE).- O produtor de Hollywood Harvey Weinsten utilizou advogados, detetives particulares e ex-espiões da Mossad, o serviço secreto de Israel, para tentar acabar com as notícias sobre as denúncias de abusos sexuais.

De acordo com relatórios publicados nesta terça-feira pelo jornal "The New York Times" e uma nota veiculada ontem à noite pela revista "The New Yorker", Weinsten contratou uma empresa de investigadores particulares na qual trabalham ex-agentes do Mossad.

O produtor também contratou a firma de um proeminente advogado vinculado ao Partido Democrata para montar uma operação com o objetivo de saber antecipadamente as informações das reportagens que foram publicadas no mês passado pelo "NYT" e pela revista sobre os abusos de Weinstein.

A nota da "The New Yorker", intitulada "o exército de espiões de Harvey Weinstein", reproduzida parcialmente pelo "New York Times", que também apresenta suas próprias informações, indica que as ações de Weinsten para tentar barrar as denúncias começaram há mais de um ano.

A revista publicou um contrato assinado pelo advogado de Weinstein, David Boeis, e a firma de investigadores particulares Black Cube para "barrar completamente novos artigos negativos" que o "The New York Times" estava preparando.

Os trabalhos, no entanto, vinham sendo realizados desde o ano passado, e incluíram contatos de uma ex-espiã israelense que se fez passar primeiro pela defensora dos direitos das mulheres Diana Filip e, posteriormente, utilizou o nome de Anna.

No primeiro caso, a mulher que se fez passar por Diana Filip manteve reuniões com a atriz Rose McGowan, uma das que denunciou os abusos sexuais de Weinstein, para conquistar sua amizade e conseguir informações sobre as reportagens que estavam sendo preparadas.

Esta mesma mulher, utilizando o nome de Anna, também fez contato no ano passado com o jornalista da revista "New York", Benjamin Wallace, também sobre o mesmo tema, mas, neste caso, o repórter não chegou a publicar qualquer informação.

Também foram contatados os jornalistas da "The New Yorker" e do "New York Times" que publicaram no mês passado as denúncias sobre abusos sexuais contra Weinstein, que deram início à enxurrada de acusações parecidas contra o produtor em diferentes países.

A companhia de investigadores Black Cube chegou a utilizar pelo menos uma empresa fantasma baseada em Londres para obter informações.

Weinstein também usou com propósitos parecidos a companhia Kroll, uma das mais importantes firmas de inteligência corporativa, segundo a "The New Yorker".

Além disso, existe a coincidência de que o escritório de advocacia contratado por Weinstein para utilizar os serviços da Black Cube seja liderado por Boeis, que defendeu o "The New York Times" em três ocasiões nos últimos dez anos.

Em uma declaração veiculada hoje pelo jornal, a editora qualificou a conduta do advogado como "intolerável", como uma "quebra de confiança grave" e uma violação dos "padrões básicos profissionais" que todos os advogados devem observar.

Boeis, conforme lembraram o "NYT" e a "The New Yorker", representou o candidato presidencial democrata Al Gore nas eleições de 2000, que resultaram em um complexo processo legal no qual ganhou o então candidato republicano, George W. Bush.

Weinstein negou ter praticado qualquer ato sexual sem consentimento e sua porta-voz, Sallie Hofmeister, qualificou hoje como "ficção" as informações que relatam que alguém tentou barrar as notícias que foram publicadas contra o produtor.
 

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