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Redes sociais tornam-se risco para ativistas no Sudeste Asiático

23/10/2017 06h38

Gaspar Ruiz-Canela.

Bangcoc, 23 out (EFE).- As redes sociais são uma ferramenta útil para a comunicação, mas têm representado um risco para ativistas que atuam em países do Sudeste Asiático.

A liberdade na internet tem sido reduzida nos últimos anos em países como Tailândia, Malásia, Vietnã e Mianmar, onde essas pessoas estão sendo perseguidas pelas ideias que expressam em sites como o Facebook e o Twitter.

No último dia 15 de agosto, o universitário e ativista tailandês Jatupat Boonpattaraksa foi condenado a dois anos e seis meses de prisão por compartilhar no Facebook um perfil do rei Maha Vajiralongkorn feito pela emissora britânica "BBC".

A biografia, que incluía aspectos polêmicos da vida particular do monarca, foi compartilhada mais de 2.600 vezes na rede social, mas o jovem é o único que foi perseguido pela Justiça do país.

Jatupat, que antes da detenção liderou vários protestos contra a junta militar que governa a Tailândia desde 2014, ganhou em abril o Prêmio Gwangju de Direitos Humanos, concedido pela Coreia do Sul, mas não pôde recebê-lo por estar preso preventivamente.

Já o ativista conhecido como Pai Dao Din foi condenado dentro da severa lei de lesa-majestade, que prevê prisão de três a 15 anos para quem critique ou faça comentários considerados ofensivos à família real.

As autoridades da Tailândia também utilizam a lei de internet e a de difamação para iniciar processos penais contra ativistas, segundo Sutharee Wannasiri, da ONG Fortify Rights.

"Nós defendemos uma mudança da lei de internet, que inclui penas de prisão", indicou Wannasiri em uma conferência do Clube de Correspondentes Estrangeiros da Tailândia (FCCT).

De acordo com o ativista, o simples fato de "curtir" algumas publicações nas redes sociais já pode ser motivo para ser interrogado e denunciado pela polícia do país.

Na mesma conferência, Pornthip Hongchai, uma camponesa e ativista tailandesa da província de Loei, no nordeste do país, disse que as redes sociais, apesar de ajudar no trabalho de comunicação com o público, também abrem a porta para represálias.

Ela está há anos lutando contra as operações de uma mina de ouro que estaria poluindo o entorno do distrito de Wang Saphung. No entanto, Hongchai e seus vizinhos se sentem muitas vezes indefesos diante do poder das empresas e das autoridades.

O birmanês Zaw Zaw Latt, que defende o entendimento religioso em seu pais, denunciou no FCCT que a polícia de Mianmar não investiga as ameaças de morte recebidas por ele nas redes sociais por parte de grupos budistas radicais.

"Se um muçulmano escreve algo assim na internet é detido rapidamente", afirmou.

Latt conduz há anos uma campanha pela aproximação de budistas, cristão e muçulmanos em Mianmar. O país vive atualmente uma grave crise humanitária por causa da perseguição aos membros da minoria rohingya, que fugiram em massa para a vizinha Bangladesh.

Segundo a ONG Freedom House, em 2016, o Vietnã, onde a detenção de blogueiros críticos ao governo é habitual, obteve uma nota 76 (sendo 100 a pior) no ranking mundial de censura nas redes sociais.

No restante da região, a Tailândia recebeu 66 pontos, Mianmar 61 e Camboja 52. Não há dados sobre Laos, governado por um regime comunista desde 1975.

Segundo David Kaye, relator especial da ONU para a liberdade de expressão, existe um aumento da criminalização das críticas aos governos no Sudeste Asiático e um abuso de leis contra a blasfêmia em países como a Indonésia.

Kaye avaliou que a excessiva regulamentação da internet é prejudicial para a liberdade de expressão, o que considera essencial para garantir o desenvolvimento, a saúde e os direitos básicos.
 

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