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"Arábia" leva poesia e música brasileiras ao Festival de San Sebastián

27/09/2017 16h58

San Sebastián (Espanha), 27 set (EFE).- A poesia e a música brasileira tomaram conta nesta quarta-feira do Festival de Cinema de San Sebastián, na Espanha, com "Arábia", uma proposta especial e arriscada dirigida por Affonso Uchoa e João Dumans, e que foi muito bem recebido na disputa pela categoria Horizontes Latinos.

O filme é contado em sua maioria pela voz em "off" do protagonista, que narra sua vida em primeira pessoa em uma espécie de conto visual no qual a música tem grande importância.

"Não nos interessava fazer um filme tradicional", revelou Uchoa em entrevista à Agência Efe.

O objetivo era contar a história de um trabalhador com um estilo literário e poético, que a tornasse mais interessante e importante, de modo que pudesse ser a história de qualquer outro. Para isso, utilizaram como recurso narrativo a leitura do diário do protagonista, que se encontra em outro personagem.

André, um jovem de classe média, encontra por acaso um caderno em que Cristiano, um trabalhador pobre, escreveu alguns eventos importantes de sua vida.

É uma forma de colocar duas pessoas de dois ambientes muito diferentes, um reflexo da situação social do Brasil, onde as desigualdades sociais são enormes.

Através do caderno, segundo Dumans, se desenvolve uma relação entre dois mundos diferentes. E o fato de a voz em "off" que conta a história de Cristiano ser a dele próprio dá ao filme uma "irrealidade" que interessava muito aos diretores.

O recurso, explicou Dumans, usado habitualmente como um apoio narrativo, mas não como elemento principal de um filme, é algo que nem todos os espectadores entendem. Mas ele e Uchoa não podiam imaginar a história de Cristiano sem essa estrutura.

"Dá um ar de parábola", indicou o diretor, que estreia no Festival de San Sebastián. Já Uchoa já apresentou outro longa-metragem no evento, "A Vizinhança do Tigre", no ano passado.

Nesse primeiro filme, Uchoa conheceu Aristides de Sousa, que interpretava a si mesmo. A vontade de voltar a trabalhar com ele fez com que o diretor construísse o segundo filme sobre Aristides, um ator não profissional.

"'Arábia' surge como a necessidade de continuar nossa relação com Aristide de outra maneira, através de um filme de ficção, com momentos teatrais e literários. Queríamos vê-lo em outras cenas", afirmou Uchoa.

A história foi criada com um personagem que não é Aristides, mas que podia ser ele, segundo Uchoa. "Foi um filme concebido partido da realidade e deixando que se encontrasse com nossa imaginação", explicou o cineasta.

"Queremos fazer um cinema diferente do industrial, do comercial. Acreditamos em um processo mais colaborativo e fomentamos a participação efetiva dos atores, é o que mais no enriquece", destacou Uchoa em entrevista à Efe.

Um desses casos foi a inclusão no filme de músicas que surgiram de forma espontânea durante as gravações, como o caso de "Cowboy fora da lei", um clássico de Raul Seixas.

"A música no Brasil é uma forma de narrar a história das classes populares, das menos favorecidas, e é parte de momentos de comunhão e de alegria", explicou Dumans.

Esse é o papel das canções no filme, o elemento que mostra que para pessoas como Cristiano nem tudo na vida é trabalho e sacrifício.

"Também há momentos de aventura e de comemoração. Assim é como se vive a música no Brasil", concluiu o diretor.
 

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