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Ucrânia quer expandir o uso de seu idioma oficial frente ao domínio do russo

24/09/2017 09h59

Khrystyna Kinson.

Kiev, 24 set (EFE).- A Ucrânia quer proteger e expandir o uso do idioma oficial, o ucraniano, em um país majoritariamente bilíngue em que depois de 25 anos da queda da União Soviética o russo continua tendo um papel dominante.

Assim explicou em entrevista à Agência Efe a assessora do Ministério de Política Informativa da Ucrânia Julia Kazdobina, que destacou que hoje em dia existe um "conflito linguístico" no país, já que uma parte da população mostra rejeição a sua própria língua, não a domina e inclusive não a entende.

"Não se pode negar que há um conflito linguístico (...) Mas todas as comunidades que vivem em um mesmo país devem ser capaz de se entender e saber falar ucraniano, porque, caso contrário, a sociedade estará dividida", assegurou Kazdobina.

Mesmo que a Constituição de 1996 estabeleça o ucraniano como único idioma oficial do país, diversos estudos apontam que em muitas regiões - incluindo a capital -, o russo continua sendo o mais falado na vida quotidiana, e convive com outras línguas minoritárias como romeno, húngaro, tártaro da Crimeia e búlgaro.

"Há cidadãos que se sentem ucranianos, mas são falantes de russo e também há muitas pessoas que pertencem a minorias nacionais, mas preferem falar russo, ainda que seu idioma natal seja outro", admitiu a assessora do Ministério ucraniano.

Ao seu ver, esta controvérsia em torno das duas línguas irmãs remonta à época soviética, quando a Ucrânia e outras ex-repúblicas foram alvo de uma política de "russificação" por parte do regime comunista em todas as esferas da vida pública.

Kazdobina disse que hoje em muitos colégios de regiões que predominantemente falam russo e de outras minorias nacionais não se dão aulas no idioma oficial do país e, portanto, os jovens são "incapazes de falá-lo fluentemente".

É por isso que a Rada Suprema da Ucrânia (legislativo) aprovou este mês uma nova lei de educação que estabelece a obrigatoriedade de usar o ucraniano como idioma em todas as escolas públicas do país (a partir do quinto ano do ensino fundamental), o que causou uma grande polêmica dentro e fora de suas fronteiras.

Recentemente o presidente da Romênia, Klaus Iohannis, cancelou sua visita oficial à Ucrânia como forma de protesto pela comunidade romena residente no país, ao mesmo tempo que a Rússia denunciou que tal lei "viola os direitos" da minoria que fala russo.

Apesar disso, o Governo ucraniano assegurou que sua intenção não é estabelecer o monolinguismo, mas sim preservar a língua oficial e garantir que "ela ocupe o lugar que lhe corresponde" na esfera pública.

"Não proibimos as minorias de estudar na sua língua materna, mas todas as crianças ao terminar o colégio têm que dominar o idioma ucraniano. Devemos protegê-lo, uma coisa que não tem sido feita", declarou o presidente, Petro Poroshenko.

Na capital do país já se fala oficialmente do renascimento "do idioma ucraniano" e da necessidade de "unificar" a sociedade civil no contexto atual de conflito com a Rússia, ainda que os cidadãos defendam também o uso de outras línguas regionais.

"Acredito que é necessário despertar nas novas gerações o sentimento de identidade e o amor pela nossa língua, mas não à força", assegurou Bogdana Babich, uma jovem médica falante de ucraniano que defende os direitos das minorias de escolher o idioma em que querem estudar.

Segundo uma pesquisa do Centro Razumkov realizada em 2011, o ucraniano é o idioma de comunicação preferido por 53% da população, enquanto que 44,5% prefere falar russo.

"Sou ucraniano, mas minha família fala russo, por isso para mim é difícil falar o nosso idioma, mas isso nunca foi um problema porque o entendo perfeitamente", afirmou Maksim Sergeev, um profissional do ramo de informática morador de Kiev.

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