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"Inevitável abordar classes sociais num filme latino", diz diretor dominicano

10/08/2017 16h28

Victor Machado

Fortaleza, 10 ago (EFE).- Retrato de uma realidade familiar a diversos países, com um claro conflito entre classes sociais e racismo sutilmente implícito nos diálogos, "O Homem que Cuida", do dominicano Alejandro Andújar, ofereceu ao público uma noite de reflexão na quarta-feira, pela 27ª edição do Cine Ceará, em Fortaleza.

"Luta de classes sociais e racismo são coisas muito comuns na República Dominicana, mas das quais não se fala muito. Acho que todos os filmes acabam sendo políticos quando têm conteúdo social. Na América Latina é muito fácil cair nisso, é inevitável abordar classes sociais num filme latino", disse o cineasta à Agência Efe.

O filme, que concorre aos troféus Mucuripe pela Mostra Competitiva Ibero-Americana de Longa-metragem do festival, é uma coprodução entre República Dominicana, Porto Rico e Brasil, onde foi realizada a finalização do som.

Protagonizado pelo cantor e ator dominicano Héctor Aníbal, na pele do caseiro Juan, o longa se passa em poucos dias, a partir do momento em que o filho do proprietário de uma casa de praia no povoado de Palmar de Ocoa chega ao local com um amigo cubano, que leva consigo uma menina da região.

A estadia era para ser curta, mas acaba prolongada, e cabe a Juan tentar manter a casa do patrão em ordem diante dos excessos, mesmo estando sob as ordens dos hóspedes festeiros.

"Quando temos um filme como 'O Homem que Cuida', que é um personagem, digamos, pequeno, quase um fantasma na vida dos outros, há uma conotação política e social. Minha inspiração inicial é que já fui a várias casas de praia com caseiros. Quando eu era pequeno, minha avó tinha uma casa na praia. É um personagem típico de qualquer sociedade, seja no Brasil, em Porto Rico ou na República Dominicana", comentou Andújar.

Mas, apesar do tom crítico no que diz respeito às relações entre ricos e pobres, brancos e negros, patrão e empregado, o diretor deixa claro que não vitimiza nenhum personagem no filme.

"Para mim, todos os personagens são filhos da p... Não é que os ricos sejam maus e os pobres bons", opinou o dominicano, que revelou ter gravado diferentes finais e escolhido um encerramento que fosse mais lógico com base na trajetória do protagonista.

De acordo com o cineasta, o filme teve cerca de dois mil espectadores na República Dominicana, país com dez milhões de habitantes. Esse público passa longe das 500 mil pessoas que costumam assistir às comédias populares nacionais.

Andújar considerou importante que o filme seja exibido em festivais para ganhar divulgação. No entanto, ressaltou a recente evolução do cinema dominicano, que ganhou mecanismos de incentivo nos últimos anos, o que viabiliza a produção de filmes independentes, de modo a ampliar a variedade de estilos no país.

A mostra competitiva de longas do Cine Ceará continua nesta quinta-feira com a exibição de "Últimos Dias em Havana", do cubano Fernando Pérez, que foi premiado como o melhor filme ibero-americano no Festival de Málaga.
 

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