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Olmos destaca força latina nos EUA: "Futuro está 100% nas nossas mãos"

21/07/2017 20h54

Madri, 21 jul (EFE).- "O futuro está 100% nas nossas mãos. Somos muitos e seremos mais. Nos Estados Unidos, têm medo de nós", afirmou nesta sexta-feira um Edward James Olmos emocionado diante da iminência de receber o seu Prêmio Platino de Honra da quarta edição desta premiação ibero-americana do cinema.

De ascendência mexicana, "Eddie", como é chamado pelos amigos, lançou mão de otimismo e senso de humor para garantir que "tudo vai mudar" quando foi perguntado, em entrevista coletiva prévia ao prêmio, sobre Donald Trump e o anunciado muro na fronteira com o México. Disse várias vezes a palavra "esperança" e, outras tantas, "paciência".

"Vamos dominar a arte, como fizemos nos anos 30 e 40, e vamos voltar a fazer porque somos mais, e eles têm medo", repetiu o ator.

"(Naquela época) havia 750 salas de cinema nos Estados Unidos que mostravam nossos trabalhos (de filmes ibero-americanos). Hoje são 25, a não ser que estreie algum filme do Almodóvar, aí haverá 300 salas, mas é algo que acontece uma vez a cada 18 meses".

"Temos que voltar àquele patamar e abrir as portas dos EUA", reiterou o ator, nascido na Califórnia.

Na presença de destacados membros da família do cinema espanhol, como a presidente da Academia espanhola de Cinema, Ivonne Blake, e de centenas de jornalistas latino-americanos, Olmos afirmou ter ficado muito emocionado por saber que será o premiado, e que chorou.

"Vivi 70 anos, sei que me vejo bem", disse, para em seguida apontar que 20 desses anos passou nos EUA "defendendo nossa arte".

"O que se precisa hoje em dia no cinema latino é o reconhecimento da sua arte. E paciência, porque na arte estamos em nível mundial. Nos Estados Unidos, gasta-se muito dinheiro e querem fechar o mundo do cinema, querem o uso do cinema no mundo só para eles, mas isso não vai acontecer", reiterou, também com otimismo.

"É preciso premiar a nossa arte e depois deixar esses filmes seguir pelo mundo", acrescentou o ator, conhecido, entre inúmeros papéis, pelo papel do tenente Castillo na série "Miami Vice".

Olmos lamentou a escassez de representação latina no cinema d0os EUA, que não passa de "4% das imagens, embora sejamos 58% da população", enquanto a comunidade afro-americana, 12%, se reflete em 17%.

"Precisamos continuar contando as nossas histórias, porque atacam de uma maneira diferente, atacam o subconsciente. E precisamos de prêmios como o Platino, que graças a Deus foi criado. Este é o modo de atrair a atenção. Acabarão fazendo comerciais onde se diz: 'fulano, ganhador de um Platino", argumentou.

"Sei que agora nos usam em papéis menores, mas a mudança virá, a mudança começará nas casas, e as pessoas nos verão", defendeu.

Olmos, que voltará a outro de seus papeis mais lembrados, o de Eduardo Gaff, na sequência de "Blade Runner", defendeu que haja espaço para o dissenso no cinema.

"Hoje apenas há apoio para o cinema independente, e são as TVs a cabo, as plataformas de internet, que nos salvam", alegou.

"Netflix, Amazon... Para mim é o futuro", resumiu.

Também presente na entrevista, o presidente da Federação Ibero-americana de Produtores Cinematográficos e Audiovisuais (FIPCA), Adrián Solar, elogiou o "impressionante e produtivo apoio ao cinema latino" de Olmos, a quem agradeceu pelo apoio para que nascesse, em 1997, a associação de cinema latino de Los Angeles, que "abriu uma janela para o público latino-americano".

Já o presidente da Entidade de Gestão de Direitos dos Produtores Audiovisuais da Espanha (EGEDA), Enrique Cerezo, destacou sobre Olmos uma carreira repleta de prêmios - um Emmy e dois Globos de Ouro, além de uma indicação ao Oscar e mais de uma centena de filmes - e seu "respaldo inquestionável na defesa dos hispânicos".