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Exposição de "arte degenerada" banida pelos nazistas completa 80 anos

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Obra de Max Beckmann, apontada por Hitler como Arte Degenerada Imagem: AP

Rodrigo Zuleta

De Berlim (Alemanha)

19/07/2017 06h00

A abertura da exposição "Arte Degenerada", promovida pelos nazistas como parte de uma estratégia contra a cultura moderna, completa nesta quarta-feira 80 anos, sem que muitas das obras que deveriam ser sepultadas no esquecimento pelo nacional-socialismo de Adolf Hitler tenham perdido importância.

Uma das obras daquela exposição - "Três Banhistas", do expressionismo de Ernst Ludwig Kirchner - voltou agora à Alemanha cedida por um museu de Sidney, na Austrália, para uma mostra comemorativa que será organizada em Düsseldorf.

As obras que hoje são vistas como clássicos da modernidade eram apresentadas pelos nazistas como exemplos de decadência e de uma suposta degeneração que eles pretendiam superar.

A exposição, que foi inaugurada em 19 de julho de 1937 no Instituto de Arqueologia de Munique, incluía artistas como Marc Chagall, Wassily Kandinsky, Paul Klee, Ernst Ludwig Kirchner e Emil Nolde. As obras desses artistas eram apresentadas pelo nazismo como exemplos de que o "sentimento popular" deveria rejeitar.

"Vemos ao redor de nós os fetos da loucura, do descaramento, da incompetência e da degeneração", disse na época Adolf Ziegler, presidente da Câmara de Belas Artes, já tomada pelos nazistas.

Paralelamente, os nazistas promoveram a "Grande Exposição de Arte Alemanha" em um edifício neoclássico construído especialmente para a ocasião. O objetivo era servir de contraste à "arte degenerada" em uma mostra que reunia artistas ligados a Hitler e que representavam a estética defendida pelo regime.

As obras da "Arte Degenerada" - como é possível ver nas fotos da época - estavam amontoadas. Alguns quadros foram mal pendurados nas paredes, de forma provavelmente deliberada, e acompanhados de comentários sarcásticos e depreciativos.

Junto das pinturas e das esculturas de importantes artistas, também eram mostrados desenhos feitos por doentes mentais e fotografias de pessoas com deformidades físicas.

A exposição reunia cerca de 600 obras e, após ser exibida em Munique, percorreu várias cidades da Alemanha. A mostra foi apenas o começo da ação contra a "arte degenerada", movimento que tirou cerca de 20 mil obras de 140 artistas de cem museus e galerias do país.

O que podia ser vendido no exterior era vendido. Outros foram trocados por arte mais apropriada ao gosto dos nazistas. Muitos, porém, acabaram destruídos. No dia 20 de março de 1939, foram queimados em Berlim 1.004 quadros e 3.825 imagens que pertenciam à chamada arte degenerada.

Essa cruzada artística tinha como alvo movimentos como o cubismo, o dadaísmo e, sobretudo, o expressionismo, ainda que em relação a esse último os nazistas parecessem discordar.

O ministro de Propaganda do Nazismo, Joseph Goebbels, inicialmente, ao ver que o expressionismo dava prestígio internacional à cultura alemã, quis interpretá-lo como arte tipicamente nórdica, que anunciava uma renovação.

Contrário a essa posição estava o ideólogo nazista Alfred Rosenberg, que via no expressionismo e em todas as vanguardas o que chama de "bolchevismo cultural".

A partir de 1937, Goebbels mudou de ideia e passou a apoiar a visão de Rosenberg, um giro que corresponde ao caminho adotado pela política da Alemanha nazista em muitos setores depois dos Jogos Olímpicos de 1936, realizado em Berlim, quando a radicalização começou a ficar mais clara.

A mudança de paradigma teve consequências mediatas para alguns dos artistas, como Emild Nolde. O pintor tinha obras colecionadas por alguns nazistas, mas passou a ser proibido no país. E, como tantos outros, foi proibido de pintar.

Após a Segunda Guerra Mundial, muitas das obras apreendidas pelos nazista estavam desaparecidas ou perdidas. Parte delas acabou indo para outras partes do mundo após serem vendidas com autorização do governo, por iniciativa de Hermann Göring.

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