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Sabia que existe um educativo "museu do aborto" na Áustria?

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Imagem do museu em Viena, na Áustria Imagem: Reprodução

Esther Martín

De Viena (Áustria)

18/07/2017 13h57

Camisinhas de bexiga de peixe, instrumentos antigos para a higiene feminina, as primeiras pílulas anticoncepcionais e ferramentas para abortar são algumas das peças do Museu da Anticoncepção e Interrupção da Gravidez de Viena, cujo 10º aniversário é comemorado neste ano.

"Um museu assim é necessário no mundo todo, é educativo", disse à Agência Efe o diretor do estabelecimento, o ginecologista Christian Fiala, que apontou ainda que 56 milhões de mulheres abortaram no mundo entre 2010 e 2014.

Somente na Áustria, país com 8,7 milhões de habitantes, há 30 mil abortos por ano, contou o médico, dono de uma clínica de aborto na capital austríaca

Ainda que haja pequenas exposições em Estados Unidos, Alemanha e Austrália, o museu de Fiala é o único do mundo dedicado exclusivamente a este tema.

O objetivo da instituição é informar sobre os diferentes métodos anticoncepcionais e conscientizar, principalmente os mais jovens, sobre as consequências de uma gravidez não desejada.

"Todos devem saber que pode acontecer a qualquer momento e que é preciso sempre ter cuidado", advertiu Fiala.

O responsável do museu lembra que nos 35 anos em média de vida fértil, uma mulher sexualmente ativa pode ficar grávida até 15 vezes se não usar anticoncepcionais.

"Não se pode obrigar as mulheres a terem filhos. É um conceito da Idade Média que não pode ser mantido", opinou o médico.

A maioria das pessoas, acrescenta, quer ter filhos e deseja o melhor para eles, mas há ocasiões em que não se tem as condições apropriadas para isso, por isso "a mulher tem que escolher livremente se quer abortar".

Os adolescentes visitam o museu a partir dos 14 anos e, geralmente, vêm com amigos e professores, já que não é um local "para vir acompanhados pelos pais", afirma o diretor.

Cerca de seis mil pessoas visitam cada ano as duas salas do pequeno museu, nas quais estão expostos centenas de objetos.

Em uma das salas, os visitantes podem observar camisinhas de vários materiais, desde bexiga de peixe, tripas de animais e os modelos modernos de látex. Também estão expostos dispositivos intrauterinos (DIU) e exemplares de pílulas anticoncepcionais.

No entanto, o que mais costuma surpreender o público são as longas agulhas, as tesouras e as seringas que eram utilizadas no passado para realizar abortos que mais parecem ferramentas arcaicas do que instrumentos médicos.

Fiala classificou como "autêntico drama" e um "escândalo" que muitos países em desenvolvimento, por exemplo na América Latina, ainda restringirem e criminalizarem o aborto, inclusive em casos de estupro.

Estas proibições, segundo ele, são herança de "antigas leis coloniais" que continuam vigentes em alguns países latino-americanos e africanos, mesmo já tendo sido abolidas nos países europeus que as impuseram no passado.

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Apelidada de "museu do aborto", instituição já foi motivo de polêmica Imagem: Reprodução


Fiala também criticou os partidos políticos conservadores e a Igreja Católica, que "manipulam" o tema e se opõem ao aborto argumentando que a sociedade está envelhecendo e que mais crianças fazem falta, ou que o lugar da mulher é no lar, tendo filhos.

Ainda que o aborto já não seja mais um tabu na Europa, como era antes, o médico austríaco afirmou que ainda há um longo caminho a percorrer para que se torne algo normal na sociedade.

Por exemplo, ele critica o fato de, com exceção da Suécia, em toda Europa ainda seja reconhecido o direito dos médicos a se negar a realizar um aborto por razões ideológicas ou religiosas.

"Se um médico não quer fazer (um aborto), significa que não pode ser ginecologista", concluiu Fiala.

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