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Bob Woodward não vê, até agora, indícios de crime nas denúncias contra Trump

14/06/2017 13h50

Nayara Batschke

Madrid, 14 jun (EFE).- O lendário jornalista Bob Woorward, que ficou conhecido por revelar o caso Watergate e que terminou na renúncia do então presidente dos Estados Unidos Richard Nixon, opinou nesta quarta-feira que "não há evidências concretas" nas denúncias contra o atual presidente dos EUA, Donald Trump.

Entretanto, apontou que esse dado pode mudar nos próximos seis ou 12 meses, já que, até agora, "só contamos com entre 5% e 10% das informações".

O renomado autor e repórter deu uma inspiradora lição de jornalismo em uma conferência realizada nesta quarta-feira em Madrid, como parte do Management and Business Summit, organizado por ATresMedia.

Em uma conversa com a Agência Efe, Woodward apontou para a ausência de provas concretas nas denúncias contra Trump, já que os indícios de atos ilícitos até o momento não passam de suspeitas que ainda devem ser confirmadas.

Nas últimas semanas, cresceram as acusações contra Trump por uma possível associação com os serviços de Inteligência Russa para interferir nas eleições presidenciais de novembro.

Entretanto, Woodward ressaltou o papel da imprensa, bem como sua função de "cavar a verdade" e buscar a produção de conteúdos originais e independentes das investigações oficiais.

"Os jornalistas se tornaram preguiçosos com suas ligações telefônicas e buscas online e esta não é a melhor maneira de alcançar a essência das coisas", sentenciou.

Bob Woodward e Carl Bernstein, colegas de redação no jornal "The Washington Post", se tornaram referências no mundo jornalístico em 1972, após a publicação de uma série de reportagens sobre um dos maiores escândalos políticos dos Estados Unidos, o Watergate.

O jornalista vê certos paralelismos entre Nixon e Trump, apesar de não considerar, até o momento, como delito a interferência russa nas eleições americanas.

"As ações não implicam, necessariamente, em um ato que viole a lei. Se cidadãos americanos estivessem envolvidos, aí sim seria uma violação da lei, porém, como se trata da Inteligência Russa, não podemos fazer nada", explicou.

Ele também relembrou a interferência dos Estados Unidos em processos eleitorais de outros países, como, por exemplo, as eleições no Irã na década de 1950.

Ainda destacou que, em todos os casos, "a verdade deve prevalecer" e incentivou um jornalismo cuidadoso e de qualidade.

Woodward, de 74 anos, foi imortalizado no filme "Todos os homens do presidente", de 1976, e já publicou 16 livros, a maioria deles centrados em escândalos políticos da história americana.

Em 1973, ganhou o Prêmio Pulitzer por sua investigação do Watergate e entrou para a história como uma das lendas vivas do jornalismo investigativo.

Sobre alguns ex-presidentes que teve a oportunidade de entrevistar, considerou Bill Clinton "fascinante" e mencionou Gerald Ford como "o mais honesto, apesar de isso ter sido 25 anos depois de de deixar a Presidência".

Para Woodward, a chave do sucesso deste gênero jornalístico está no tempo dedicado aos fatos e aos personagens que fazem parte deles, taref que pode ser bastante árdua, tanto pela ameaça da imediatez das informações nos tempos da internet quanto pela falta de privacidade que ela proporciona.

Com estranhamento, suspirou que "as pessoas continuam agindo como se a privacidade ainda existisse", algo que o veterano jornalista já não tem tanta certeza.
 

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