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Exposição revela a destruição cultural de monumentos da antiga Iugoslávia

Arben Celi/Reuters
Cenas do conflito no Kosovo no final dos anos 90, na fronteira com a Albânia Imagem: Arben Celi/Reuters

Vesna Bernardic

Zagreb (Croácia)

08/05/2017 06h03

"Monumentos com uma arma" é o nome de uma exposição multimídia que mostra o alcance da destruição de monumentos culturais durante as guerras no território da antiga Iugoslávia, como na Croácia, na Bósnia e Herzegovina e no Kosovo, nos anos 90.

"A exposição é importante porque registra a destruição do patrimônio religioso e cultural de Dubrovnik, passando por Sarajevo e Mostar, até o Kosovo. Mostramos como as bombas tentavam aniquilar a cultura de outros grupos étnicos e, principalmente, a cultura comum de todos estes grupos que conviveram e tinham um passado multiétnico em comum", afirmou Vesna Terselic, presidente da Documenta, ONG croata que organiza o evento.

No catálogo que explica a mostra, Helen Walasek, especialista do Conselho da Europa, destaca que a "destruição intencional de monumentos culturais e religiosos" é o "pior exemplo da destruição do patrimônio cultural na Europa desde a Segunda Guerra Mundial".

As demolições afetaram, acima de tudo, o patrimônio otomano e islâmico da Bósnia, onde foram destruídas mais de 1.200 mesquitas.

A exposição tem fotos, vídeos, áudios, documentos e sentenças do Tribunal Internacional de Haia para os crimes de guerra cometidos na antiga Iugoslávia (TPII) relacionados à destruição de monumentos, bem como relatórios internacionais, documentários e outros materiais. São expostos crimes que nunca chegaram aos tribunais e os poucos que foram a julgamentos em Haia.

O fato de o TPII julgar também crimes contra o patrimônio cultural e religioso foi uma novidade muito significativa, embora limitada à Justiça internacional, segundo ressalta a exposição.

No caso da Croácia, um general do exército sérvio-iugoslavo foi condenado a oito anos de prisão pela destruição de diversos monumentos no parte medieval de Dubrovnik, em 1991.

No entanto, ninguém prestou conta da destruição de 16 mesquitas, incluindo a famosa Ferhadija, do século XVI, em Banja Luka, situada longe do combate e convertida, após a guerra, na capital da República Sérvia da Bósnia. Tampouco existem pessoas responsabilizadas pela destruição total de Vukovar, uma cidade barroca ao leste da Croácia.

Através de vídeos, o visitante pode observar a destruição de um dos monumentos culturais mais belos da Bósnia, a Ponte Velha de Mostar, construída em 1566 pelo arquiteto Mimar Hayreddin e destruída em 1993 por bombardeios intencionais de croatas-bósnios.

Outro ponto alto da exposição é a destruição da lendária Biblioteca Nacional e Universitária de Sarajevo, bombardeada em 1992 pelos sérvios-bósnios que assediaram a capital bósnia durante três anos.

Ao perceber que essa obra arquitetônica austro-húngara estava em chamas, vários moradores decidiram arriscar suas vidas para salvar os livros. Na tentativa, uma mulher morreu atingida por franco-atiradores sérvios.

O movimento não foi em vão, muitos livros de incalculável valor foram salvos, incluindo o famoso "Haggadah de Sarajevo", um manuscrito usado na Páscoa Judaica (Pesaj), criado em Aragón, na Espanha, em 1350, e levado a Sarajevo no século XVI.

No Kosovo, as forças sérvias destruíram intencionalmente, em 1999, 225 das 607 instalações religiosas islâmicas, segundo a exposição. As destruições de algumas igrejas e mosteiro sérvios ortodoxos em Kosovo, no entanto, aconteceram depois da guerra e não fazem parte da mostra.

Após sua passagem pela Gliptoteka, um espaço para exposições da Academia Croata de Ciências e Artes, a exposição irá, no meio deste mês, para Belgrado, em junho para Sarajevo, e depois para Haia.

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