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Roma apresenta "máquina do tempo" em forma de estação de metrô

06/05/2017 10h02

Jaime Castro García.

Roma, 6mai (EFE).- Uma viagem no tempo, da Pré-História até a Idade Contemporânea, é a proposta da nova estação da linha C do metrô de Roma, onde está exposta uma seleção das 40.000 peças arqueológicas encontradas durante sua construção.

A estação, que não será aberta ao público até outubro, faz parte daquela que é conhecida como linha arqueológica do metrô, cujo trajeto atravessará o centro de Roma quando sua construção for concluída.

Os trabalhos de escavação na parada de San Giovanni começaram em 2010 e o resultado final é uma estação que hospeda uma espécie de museu no qual, à medida que os usuários descem no subterrâneo, o fazem também no tempo, acompanhados de painéis didáticos e peças arqueológicas.

O superintendente de Bens Arqueológicos de Roma, Francesco Prosperetti, descreveu a estação, que teve um custo de 50 milhões de euros (R$ 175 milhões), como uma "máquina do tempo que leva ao passado" os usuários do serviço público de transportes.

"Quem entra na estação de San Giovanni entende que está em um lugar particular, único no mundo, porque no subsolo de Roma há algo que não existe no de grande parte das cidades do mundo: a história", acrescentou.

A parte mais interessante do percurso, e que conta com o maior número de vestígios arqueológicos, corresponde ao período entre a idade republicana e a imperial de Roma, onde estão sendo encontrados os restos de uma fazenda agrícola que são testemunha de uma série de atividades de grande riqueza e de sistemas muito evoluídos de cultivo.

É possível observar, por exemplo, os restos dos primeiros pêssegos que chegaram nessa época ao Ocidente, provavelmente procedentes da Pérsia, ânforas de drenagem e outras que continham azeite e que chegaram da península ibérica.

Além disso, também chegaram até nossos dias as raízes de diversas plantas de jardim e flores que confirmam a condição nobre desta fazenda que produzia bens de luxo.

Nos corredores da estação de metrô também estão expostas moedas cuja cunhagem remonta ao século I a.C., uma forca agrícola, fragmentos de encanamentos da época e vasos de terracota que estão quase intactos e mostram o terreno pantanoso e úmido que provocou a criação da fazenda.

As escavações revelaram a progressiva desertificação da área de San Giovanni, que com o tempo deixou de ser utilizada com fins agrícolas de luxo e à qual o papa Calisto II dirigiu um canal artificial de água que formava um lago em seus limites.

O objetivo final dos usuários será, obviamente, as vias do comboio metropolitano, que estão no nível da idade pré-histórica e que marcam o final de uma viagem no tempo na qual painéis explicativos de diferentes cores, além de imagens e vídeos, classificam e ilustram os períodos históricos.

As escavações da estação, desenvolvidas com técnicas estratigráficas, têm adentrado até mais de 30 metros, algo inédito em uma obra do gênero porque normalmente a perfuração do terreno é interrompida quando são encontrados os primeiros restos da idade imperial.

Filippo Lambertucci, um dos arquitetos que organizou a exposição na instalação, afirmou à Agência Efe que espera que esta estação de metrô sirva para que os cidadãos romanos "possam finalmente se dar conta do que está feita sua cidade".

"Esta instalação oferece ao público uma experiência (...) provavelmente nova para ele", comentou Lambertucci, que pertence ao grupo pesquisador do Departamento de Arquitetura da Universidade de Roma que trabalhou no projeto junto à Superintendência e à Câmara Municipal.

"Embora Roma esteja estratificada sobre uma quantidade de séculos, de achados e de testemunhos que atravessam seu subsolo, (os cidadãos) não se dão conta nunca, ou quase nunca, desta grande riqueza", acrescentou o arquiteto, que espera que isto constitua "uma nova perspectiva" para as próximas estações da capital italiana.

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