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Descoberta eslovena de 5.200 anos aponta para origem europeia da roda

26/04/2017 09h59

Vesna Bernardic.

Zagreb, 26 abr (EFE).- A roda, uma invenção sem a qual não se concebe a civilização, surgiu possivelmente na Europa ao mesmo tempo que na Mesopotâmia, segundo confirma um exemplar de cerca de 5.200 anos localizado na Eslovênia e exposto agora no museu de Vrhnika, perto de Liubliana, capital do país.

"A datação a situa como a roda de madeira mais antiga conhecida no mundo", explicou à Agência Efe Irena Sinkovec, conservadora dos Museus e Galerias da Cidade de Liubliana.

"A idade desta peça foi determinada através dos mais modernos métodos científicos de um instituto especializado de Viena, que usou medições dos estratos no terreno e dos anéis das árvores na região onde a roda foi encontrada, bem como a datação por radiocarbono", explicou Irena.

Segundo ela, esta roda, descoberta em 2002 em uma área de pântanos perto da capital eslovena, é pelo menos um século anterior às encontradas em Suíça e Alemanha, consideradas até então as mais antigas.

"As representações gráficas mais antigas da roda provêm de estandartes na cidade de Ur, na Mesopotâmia, mas não restou nenhum resto físico das rodas propriamente ditas", lembrou Irena.

Anton Veluscek, chefe da equipe de arqueólogos responsáveis pela descoberta, considera que a importância desta peça está em que "para além de sua antiguidade excepcional, esta roda e o eixo são incrivelmente avançados tecnologicamente".

O arqueólogo destacou que a roda provavelmente fez parte de um carro de eixo simples e esta tecnologia mostra que já existia uma longa tradição e experiência na elaboração de rodas e eixos.

"A descoberta confirma a possibilidade de que a roda não surgiu na Mesopotâmia, segundo se acreditava antes, mas que foi inventada simultaneamente também na Europa ou inclusive na Europa primeiro", opinou Veluscek.

A conhecida como roda de Ljubljansko barje, por causa do pântano onde foi achada, tem um raio de 72 cm e 5 cm de largura, e foi elaborada em madeira de freixo.

Vem acompanhada de um eixo quadrado de carvalho, de 124 cm de comprimento, cuja forma e engate à roda, através de cunhas, significa que roda e eixo rodavam conjuntamente.

A madeira está chamuscada, provavelmente para proteger o material da ação de parasitas.

Após sua descoberta, foi submetida durante dez anos a um árduo processo de restauração no Instituto de Pesquisa Arqueológica de Mainz (Alemanha).

No pântano de Ljubljansko barje foram achados muitos objetos de uma civilização pré-histórica que lá habitou até cerca de 6.500 anos. Esse povo vivia em palafitas, recintos sustentados em pilares sobre o pântano.

O lago que ocupava a área onde estão as palafitas já não existe, o que permitiu encontrar a roda e muitos outros objetos de grande interesse arqueológico, ainda mais antigos, entre os quais se encontram uma canoa e um molde para fabricar machados de bronze.

As construções das Palafitas Alpinas da Eslovênia foram declaradas em 2011 Patrimônio Cultural Universal da Unesco, junto com outros situados em Alemanha, Áustria, França e Itália.

A roda pode ser vista no Centro Cultural de Vrhnika, a 20 quilômetros de Liubliana, até o próximo dia 17 de junho, quando será devolvida a seu lar no Museu de Liubliana para "descansar", antes de voltar a ser exposta em 2018.
 

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