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A história de 3 séculos da tatuagem em Nova York é revelada

16/04/2017 06h01

Ruth E. Hernández Beltrán.

Nova York, 16 abr (EFE).- A tradição das tatuagens, arte para alguns, ato de rebeldia para outros e algo impensável para muitos, é o centro de uma mostra em Nova York que conta a história de um costume que se arrasta há três séculos.

A "Tattooed New York", no New York Historical Society, conta ao público através de mais de 250 peças - fotos, pinturas, objetos, vídeos e instalações - 300 anos da tatuagem no território que agora é ocupado por esta cidade.

As tatuagens, que há mais de um século eram vistas como algo de marginais, são comuns hoje em dia e estão estampadas na pele de famosos, entre eles Rihanna (que tem mais de 20), Lady Gaga, Ricky Martin, Angelina Jolie, Scarlett Johansson e o jogador David Beckham.

O mundo da moda também não escapa delas já que são muitos os estilistas que as imprimiram em suas criações e levaram à passarela.

A exibição faz um percurso desde 1700, com os nativos americanos, como as tribos Iroquois, ao norte do que hoje é Nova York, que usavam o pigmento de folhas ou moíam minerais para tatuar.

Os nativos faziam isso com frequência para celebrar triunfos militares, para se proteger durante uma batalha, ou como parte de seus rituais de cura e religiosos.

Flores, pássaros, borboletas, tigres, águias, caveiras, diabos, mulheres, bandeiras e desenhos de motivos religiosos, entre muitos outros, figuram entre a grande variedade de desenhos que uma pessoa escolhe para tatuar sua pele, desde a cabeça até os pés, como mostra a "Tattooed New York".

A exibição mostra também como marinheiros e soldados não deixavam um porto ou terras distantes sem levar com eles uma tatuagem.

Além disso, alguns desenhos também eram símbolo de valentia, como a pantera, e boa sorte, e entre os mais populares o galo e o porco no pé, para protegê-los de se afogar.

Tatuar uma âncora era símbolo de estabilidade e uma bússola indicava que sempre poderiam navegar para casa.

Durante mais de um século, as tatuagens permaneceram como uma forma fácil, confiável e importante de identificar os homens no serviço militar, incluindo àqueles que morriam em batalha, destaca a mostra, que tem como curadora Cristian Panaite.

Durante a Guerra Civil (1861-1865) Martin Hildebrandt, considerado o primeiro artista desta tradição em Nova York, tatuou os nomes de milhares de soldados da União e da Confederação em seus braços e peitos, mostra a exibição.

A exposição também contém fotos de mulheres que, em pleno século XVIII, tinham o corpo tatuado, desde o pescoço até os pés, e se atreviam a mostrá-las, como Nora Hildebrandt, que tinha mais de 365 desenhos.

Hildebrandt se uniu ao circo Barnum & Bailey sendo a primeira mulher a mostrar seu corpo tatuado nos EUA.

Também se destaca Mildred Hull, a primeira e única artista a ter sua loja de tatuagens no Bowery, próximo a Nova York, onde proliferou esta arte nas barbearias.

Hull tinha mais de 300 tatuagens em seu corpo, entre elas 14 anjos em suas costas e 12 gueixas em suas pernas.

"Muitas mulheres tatuadas eram fortes, independentes, que manejaram com destreza suas carreiras", explicou a curadora.

Entre os objetos que são exibidos está a primeira "caneta elétrica" inventada por Thomas Edison, que serviu de base para a fabricada por Samuel O'Reilly em 1891, com a qual revolucionou o mundo da tatuagem.

Em 1 de novembro de 1961, o Departamento de Saúde declarou que fazer tatuagens era ilegal, atribuindo os 13 casos de Hepatite B surgidos na época.

Essa medida levou alguns artistas a mudarem da cidade e outros a trabalharem na clandestinidade, principalmente em seus lares, uma cena que também foi recriada com uma instalação como parte da exibição.

Somente mais recentemente, em fevereiro de 1997, que a proibição foi suspensa, uma época em que surgiram vários artistas.

De acordo com o local que abriga a exposição, ela ficará em cartaz até o final do mês e há mais de 270 estúdios de tatuagem em Nova York.

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