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Octavio Paz: Ensaios do Nobel de Literatura recebem novas traduções

Divulgação
O escritor mexicano Octavio Paz Imagem: Divulgação

José Parra

Rio de Janeiro (BRA)

29/03/2017 18h17

Eduardo Jardim, filósofo e escritor brasileiro, apresenta nesta quarta-feira (29), no Rio de Janeiro, três ensaios traduzidos do volume "A Busca do Presente", obra do Nobel de Literatura Octavio Paz (1914-1998).

O brasileiro ligou para a viúva do autor de "O Labirinto da Solidão" e pediu permissão para traduzir algumas de suas obras ao português. 

"Já existem muitas obras de Octavio Paz traduzidas ao português, mas acho que ele ainda não é suficientemente reconhecido. Quis dar mais voz a ele, para que os mais de 200 milhões de falantes de português pudessem ler estes textos", explica, em entrevista à Agência Efe.

Os ensaios escolhidos são "Poesia de Solidão e Poesia de Comunhão" (1943), sobre São João da Cruz e Francisco de Quevedo; "Estrela de Três Pontas: o Surrealismo" (1954), com uma visão particular sobre o legado desse movimento artístico; e "A Busca do Presente" (1990), texto que Paz leu quando recebeu o Prêmio Nobel de Literatura.

"Escolhi estas três obras porque mostram sua evolução. Cada uma é de um momento diferente, mas mostram como Paz tem sempre como objetivo esclarecer o presente", continua o escritor.

Jardim admite que traduzir os textos de Paz ao português, respeitando seu espírito, não foi tarefa fácil e lembra como conservou a palavra "graças" no discurso do Nobel. Segundo o filósofo. é uma palavra que assombra por seus diferentes sentidos, motivo pelo qual ele decidiu não traduzi-la ao português como 'obrigado', porque "perderia a essência".

"Octavio Paz não pode ser traduzido literalmente, o especial é o que quer expressar, o sentido de sua obra", diz Jardim.

O próprio Paz, cujas obras foram traduzidas a dezenas de idiomas, foi também um reconhecido tradutor. Segundo aponta a hispanista chinesa Shihua no documentário "O Labirinto de Octavio Paz", suas traduções se encontram entre o melhor de sua obra literária porque se centrou em "versões impecáveis que captam o espírito original, sem usar uma tradução literal".

Por isso, Jardim acrescenta que sentiu uma grande responsabilidade ao transpor a obra do espanhol para o português.

"Mas é fácil. Sua maneira de escrever deixa no ar o sentido do texto e você só tem que modelá-lo", esclarece.

A política marcou também a vida do escritor mexicano, de sua aproximação ao marxismo em seu começo até o desencanto paulatino com a esquerda, o que o levou a um enfrentamento com o chileno Pablo Neruda, quando ambos eram duas referenciais da literatura hispano-americana.

A visão de Octavio Paz sobre política é "sensata", opina seu tradutor ao português, que recupera seu caráter "provocador", mas sempre "fiel a seus ideais".

Esta adesão a seus princípios lhe obrigou a deixar o cargo como embaixador do México na Índia após o massacre de estudantes em Tlatelolco, em 1968. Decisão que, segundo Jardim, melhor descreve a atitude de Paz com relação à política.

A apresentação de "A Busca do Presente" e a exibição, pela primeira vez no Brasil, do documentário "O Labirinto de Octavio Paz", servirão para repassar com detalhe a vida do genial escritor mexicano.

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