Livros e HQs

Pai do romance gráfico, Will Eisner é homenageado em seu centenário

Otávio Dias de Oliveira/Folhapress
O cartunista Will Eisner, criador de "Spirit", posa ao lado de cartaz com seu personagem em evento de 1994, em São Paulo Imagem: Otávio Dias de Oliveira/Folhapress

Helen Cook Em Nova York (EUA)

O mundo da ilustração comemora nesta semana os cem anos de nascimento do pai do romance gráfico, Will Eisner, cujas inovações transformaram e deram relevância ao formato da história em quadrinhos.

"Will foi uma figura revolucionária para a história em quadrinhos. Foi uma parte crítica do movimento dos anos 40 que abriu as portas para outros muitos artistas", disse à Agência Efe a diretora-executiva da Sociedade de Ilustradores de Nova York, Anelle Miller.

Esse coletivo quis homenagear Eisner, nascido em Nova York em 6 de março de 1917, com uma ampla exposição de seu trabalho no centro de Manhattan, que começou oficialmente nesta sexta-feira (10) e permanecerá aberta até 3 de junho.

Na mostra é possível contemplar cerca de cem obras originais de Eisner, boa parte delas pertencentes à série "The Spirit", uma icônica história em quadrinhos sobre um personagem fictício que combatia o crime e que circulou de 1940 a 1952.

"The Spirit", composta por 16 páginas de formato tabloide, começou a ser lançada junto com a versão dominical de um jornal e, com o tempo, chegou a mais de 20 publicações, alcançando uma tiragem de cinco milhões de exemplares.

"O personagem de 'The Spirit' é icônico, e o que é preciso saber de Will é que ele mudou o formato da história em quadrinhos", analisou Miller.

Durante muitos anos, conforme explicou a diretora-executiva da Sociedade de Ilustradores, as diferentes cenas das histórias em quadrinhos foram emolduradas em "caixas", um formato esquemático que Eisner decidiu deixar para trás para criar uma narração mais dinâmica.

"Ele (Eisner) saiu dessas 'caixas' e criou as páginas 'splash'", onde uma só ilustração pode ocupar uma das folhas da história em quadrinhos, lembrou.

Eisner também inovou com a tipografia, escolhendo fontes originais que mudavam de uma edição para outra, um dos motivos pelos quais seus desenhos se destacaram.

"Era um incrível artista da história em quadrinhos, mas também era um desenhista em muitos sentidos. Ele tomava muita liberdade com as tipografias e seus desenhos. Todas as páginas eram distintas entre si", comentou.

A mostra da Sociedade de Ilustradores de Nova York também conta com exemplares de "Um Contrato com Deus" (1978), o reverenciado romance gráfico com o qual Eisner mudou o rumo da história em quadrinhos ao utilizar este formato para contar histórias mais reais, críveis e profundas.

Os fãs também podem observar vários dos instrumentos de trabalho do desenhista, como a mesa sobre a qual fazia seus desenhos, na qual ficaram restos da tinta usada e que formam uma curiosa obra contemporânea.

Além disso, a exposição apresenta um dos quadros que o artista pintou com 19 anos, um retrato de uma mulher nua, o que mostra o interesse de Eisner pela arte desde a juventude, incentivado pelo pai, um imigrante do antigo Império Austro-Húngaro que também foi artista quando jovem.

Outras curiosidades mostradas pela Sociedade de Ilustradores de Nova York são alguns dos cartazes que Eisner desenhou como oficial no Pentágono durante a Segunda Guerra Mundial, nos quais utilizou a história em quadrinhos a fim de instruir e educar os soldados.

Durante seus 87 anos, a figura de Eisner, que se manteve ativo até os últimos dias de vida, se destacou e influenciou o mundo da história em quadrinhos de tal forma que os prêmios mais destacados desta categoria levam seu nome, os Eisner Awards.
 

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