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Desfiles levam a Bahia para o Sambódromo de São Paulo

26/02/2017 07h45

Alba Santandreu.

São Paulo, 26 fev (EFE).- Bahia, terra de todos os santos, desembarcou neste domingo no Sambódromo de São Paulo, uma passarela de mais de 500 metros de samba, purpurina e corpos deslumbrantes, onde os brasileiros aqueceram os motores para os luxuosos desfiles do Rio de Janeiro.

A capital paulista deixou de lado seu complexo de "cidade cinza" por segunda noite consecutiva e se impregnou do colorido das escolas de samba, que mais uma vez se gabou de seu profissionalismo diante da incredulidade dos cariocas.

Primeira a marchar, foi a Mancha Verde louvou o nome de Zé, a expressão popular de José no Brasil, enquanto na "área de concentração" os protagonistas da Unidos do Peruche faziam os toques finais em seu desfile, uma exaltação a Salvador, capital da Bahia, um "caldeirão de raças, cultura, fé e alegria".

Nos bastidores, Vanessa Nentin ajustava, nervosa, as plumas de sua minúscula fantasia antes de enfrentar a passarela, ao mesmo tempo que a "velha-guarda", setor formado pelas pessoas de maior idade, conversava com a tranquilidade de quem possuem mais de três décadas de desfile.

"É impossível explicar o que a gente sente. Todo ano é emocionante", disse à Agência Efe, Joana, de 62 anos, que passou metade de sua vida desfilando pela Unidos do Peruche.

A partir dos alto-falantes, uma voz grossa dá o sinal de largada de partida e a escola começa a fazer sua particular homenagem a Salvador, a cidade, que como reza a letra do "enredo", é "um paraíso singular" e o "origem dos brasileiros".

Os dançarinos, alguns deles praticamente nus, se movimentam sensualmente ao ritmo do samba, buscando a aprovação do júri e dos mais de 20 mil espectadores que lotaram o Sambódromo.

Os primeiros acordes da música que para a entrada da "Rainha do Mar", lemanjá, uma deusa admirada na Bahia e protagonista de milhares de lendas; depois chegam os colonizadores portugueses e com eles os escravos africanos, que deixaram impressa em Salvador sua marca, parte de sua religião e suas tradições.

Em meio a um turbilhão de samba e sensualidade, Peruche elogiou a "comida baiana" - acarajé, caruru e vatapá -, assim como aos grandes ídolos do Brasil, de origem nordestina: Caetano Veloso, Gilberto Gil e Ivete Sangalo.

A escravidão esteve presente em um enorme carro alegórico que evocou o Pelourinho, bairro símbolo de Salvador e que no passado era manchado de sangue.

O nordeste também estará presente nas apresentações das escolas Dragões da Real e da popular Vai-Vai, a maior campeã do carnaval paulista, enquanto Império homenageou a paz em um momento de tempos turbulentos.

A Nenê de Vila Matilde apresentará ao público com uma ode à cidade de Curitiba e Rosas de Ouro fechará os desfiles do Grupo Especial com uma lição sobre convivência.

Com a luz do amanhecer, terão passado pelo sambódromo paulista um total de 12 escolas, que apresentaram seus carros alegóricos luxuosos, uma centena de percussionistas, cantores, "rainhas de bateria" vestidas com lantejoulas, purpurina e plumas.

Em seguida, São Paulo passará o bastão para o Rio de Janeiro, "Cidade Maravilhosa" e templo mundial do samba, onde entre a noite de domingo e a madrugada de terça-feira, as escolas cariocas mostrarão ao mundo a suntuosidade e grandeza de seus desfiles.

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