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Irã vive momento de orgulho por sucesso de Farhadi e seu boicote ao Oscar

25/02/2017 09h59

Artemis Razmipour e Marina Villén.

Teerã, 25 fev (EFE).- O filme "O Apartamento", do iraniano Asghar Farhadi, foi um sucesso de bilheteria e crítica em seu país, que não esconde seu orgulho pelo reconhecimento internacional da obra e pelo boicote ao Oscar do diretor e da atriz protagonista.

Com sua estreia realizada há seis meses, o Irã presenciou salas lotadas que levaram os distribuidores a aumentar o número de sessões e a marcar algumas até durante a madrugada, apesar das críticas que o filme recebeu dos setores mais conservadores do país.

Os iranianos encheram os cinemas para ver esta história sobre os altos e baixos de um casal, interpretado pelos conhecidos Taraneh Alidoosti e Shahab Hosseini, e as ânsias de vingança do marido por uma agressão sofrida por sua mulher.

Depois foi a vez do seu lançamento em DVD em lojas e bancas de jornais, que até hoje seguem oferecendo entre seus artigos "O Apartamento", ou "Forushande" em idioma farsi, transformado no filme mais vendido da história do cinema iraniano.

"Vendemos este filme 90% mais que outros", disse à Agência Efe em seu estabelecimento comercial no norte de Teerã, Amir Jani, que acredita que seu sucesso se deve ao fato de ser uma história "muito real" e à ótima atuação do elenco.

Para o diretor iraniano Nima Javidi, famoso em nível internacional por seu longa "Melbourne", o ponto-chave de "O Apartamento" é "seu roteiro poderoso" e uma narrativa que deixa o espectador "preso na poltrona durante as duas horas de exibição do filme".

"Farhadi, de modo magistral, mistura a escritura clássica de roteiros com suas experiências pessoais e o resultado atrai o público e captura o coração dos críticos", declarou Javidi à Efe.

"O Apartamento" segue no centro das atenções por sua indicação como melhor filme de língua não inglesa ao Oscar, onde as apostas o colocam como favorito, em parte graças ao boicote do diretor à cerimônia, que será realizada neste domingo.

Farhadi, que em 2012 já ganhou um Oscar de melhor filme em língua estrangeira por "A Separação", decidiu não comparecer à festa de premiação em resposta ao veto migratório do presidente americano, Donald Trump, contra cidadãos do Irã e de outros seis países de maioria muçulmana.

O diretor considerou a medida "injusta" e "humilhante", enquanto Taraneh, protagonista de "O Apartamento", a qualificou de "racista" e também anunciou seu boicote "em sinal de protesto".

Esta postura foi louvada no Irã, cujas autoridades adotaram medidas recíprocas à suspensão de vistos e mantêm uma guerra dialética com o novo governo americano.

Para os cidadãos e cineastas iranianos consultados pela Efe, a decisão de Farhadi e Taraneh é correta e uma demonstração de respeito com seus compatriotas.

"Estou totalmente de acordo com sua recusa a ir à premiação do Oscar. O povo do Irã é patriota e o protesto deve surgir em todos os níveis sociais", disse o vendedor Jani.

Jani, no entanto, também se mostrou "muito contente" pela indicação do filme, o que considerou "uma honra" e uma oportunidade para que o Irã fique "conhecido em nível mundial".

O jovem Behnam Barjordari, em cuja loja "O Apartamento" também está em um lugar de destaque, compartilha da mesma opinião: "Deram uma boa resposta a Trump", ressaltou.

Este comerciante expressou à Efe sua esperança de que o filme de Farhadi vença o Oscar porque o mesmo traz ensinamentos necessários para remover consciências na sociedade atual.

Na esfera internacional, "O Apartamento" já está há um bom tempo no circuito, após faturar no ano passado o prêmio de melhor ator para Shahab Hosseini e de roteiro para Farhadi no Festival de Cannes.

O premiado diretor iraniano, de 44 anos, bateu recorde de prêmios com "A Separação" (2011), mas ainda pode superar a si mesmo, segundo seu colega Javidi.

"Não duvido que nos surpreenderá com seus novos filmes", garantiu o autor de "Melbourne", que também considera apropriada a decisão de Farhadi e de Taraneh de não comparecerem à entrega do Oscar.

Para Javidi, políticas como as de Trump "só semeiam ódio entre as pessoas" enquanto a arte é "mensageira da paz e não conhece fronteiras", algo que pode beneficiar "O Apartamento" na premiação deste domingo.

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