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Martinho da Vila: uma história de amor entre os uruguaios e o samba

11/02/2017 15h28

Ana Paula Chain.

Montevidéu, 11 fev (EFE).- Enquanto os tambores soam ao som do candombe do carnaval uruguaio, Martinho da Vila vai se encarregar neste sábado de levar ao público o sabor da festa brasileira e todo o ritmo carioca para fortalecer uma "inexplicável" história de amor com o Uruguai.

"Para mim, o Uruguai é um dos melhores países da América do Sul. Não sei por que, eu gosto muito dos uruguaios e eles gostam de mim também. Isso de gostar, de amar, não dá para explicar, você sente e ponto. Então, gostamos um do outro", explicou o cantor, de 78 anos, em entrevista à Agência Efe em Montevidéu.

Dois anos depois de sua última passagem pelo país, Martinho vai apropriar esta noite do palco do Auditório Nacional do Uruguai para apresentar seu disco mais recente, "De bem com a vida", que, segundo ele, foi feito para "escutar, se divertir e mexer um pouco o corpo, mas sem muito barulho, porque a música está em primeiro plano".

Apesar da intenção do show não ser divulgar o carnaval do Rio, ele sempre acaba dando uma palinha do que é a festa.

"Meus shows sempre têm um pouco de carnaval porque eu estou sempre cantando alguma música da Vila Isabel e de outras escolas samba. Isso é algo que nunca falta nas minhas apresentações", disse.

Para Martinho, é o público quem faz o artista, independentemente da nacionalidade ou do idioma, já que o que realmente importa são as emoções transmitidas através da música.

"Se eu for a uma apresentação de um coreano e ele cantar bem, o que ele comunica é verdadeiro e eu vou gostar. Quando viajo pelo mundo só canto em português e às vezes eu converso com o público. Sei que a maioria não entende nada, mas o que importa é a emoção", argumentou.

Depois de 50 anos de carreira, mais de 40 álbuns e incontáveis apresentações, ele revelou que se sente realizado quando nota que conseguiu emocionar o público.

"Quando vejo que algumas pessoas estão chorando, outras cantando e outras vibrando de felicidade com a mesma música é incrível" contou.

Entre as músicas do novo álbum, Martinho disse que não sabe qual é a sua preferida, mas acredita que "Amanhã é sábado" é uma das fortes candidatas para arrebatar o coração do público uruguaio por ser uma mistura "de sofrimento e ritmo", uma combinação que o público costuma gostar.

Além de emocionar e conquistar, Martinho afirmou que também acredita que a música tem o poder de abrir caminhos e ajudar a esquecer dos problemas, principalmente neste "momento de transição ideológica" que o mundo está vivendo, incluindo a crise política complexa que o Brasil atravessa desde o impeachment da presidente Dilma.

"Os três poderes não se entendem e brigam. É uma confusão enorme e uma falta de credibilidade incrível. A crise política é mundial e pode ser curada através de uma boa gestão, mas não existem bons administradores. A crise de políticos é pior do que a crise política. Não temos candidatos confiáveis", argumentou.

Apesar de se considerar otimista e de acreditar que os problemas sempre trazem um aprendizado, Martinho defendeu que, no momento "é melhor esquecer o Brasil" até que tudo seja resolvido, assim como diz uma de suas músicas mais famosas: "Canta, canta minha gente/ Deixa a tristeza pra lá/ Canta forte, canta alto/ Que a vida vai melhorar".

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