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Livro apresenta os "avôs galegos" da América Latina

07/12/2016 10h04

Alba Santandreu.

São Paulo, 7 dez (EFE).- O pai de Fidel Castro era galego de nascença, assim como o da escritora Nélida Piñon e os de outros milhares de latino-americanos que têm em suas veias o sangue dos emigrantes espanhóis que deixaram a Galícia em busca de "dias melhores".

Os segredos da migração galega são relatados em "História da Galícia: uma memória dos avôs europeus", livro do historiador espanhol Ramón Villares que agora ganhou um novo capítulo sobre o Brasil.

Milhares de galegos chegaram ao território brasileiro no início do século XX, mas a presença deles "foi um pouco invisível", ao contrário do que ocorreu na Argentina, onde os espanhóis passaram a ser tachados de "galegos", independentemente da região de procedência.

"Os galegos estão mal contados aqui. Muitos eram registrados simplesmente como espanhóis ou como portugueses porque saíam dos portos de Portugal", analisou Villares, em entrevista à Agência Efe em São Paulo.

Apesar de não ter sido em massa a migração no Brasil, os galegos levaram a cultura da região dentro de uma mala e deixaram uma marca no país, aonde a maioria chegou após as cartas enviadas por vizinhos e amigos que já tinham tomado a iniciativa.

"Na Galícia há uma cultura de emigração. Os galegos recebiam informação de vizinhos e conhecidos, depois iam embora os que estavam mais dotados fisicamente e que tinham certa condição financeira, não ia o pior. A Galícia não é alheia ao Brasil, nem o Brasil é alheio à Galícia", afirmou Villares.

Parte dessa história pode ser contada por Casto Vieitez Fernandez, um galego de 76 anos que desembarcou no porto de Santos, no litoral de São Paulo, em 24 de março de 1960, em busca de "dias melhores" e sem nenhum centavo no bolso.

"Eu não sabia nem onde ficava o Brasil. Me disseram para que tivesse cuidado que era um pouco perigoso. Mas naqueles tempos não era, hoje é", lembrou Vieitez.

Quando colocou o primeiro pé no Brasil, há 56 anos, começou a sentir saudades Galícia e "muitas vezes chorava", mas "não havia opção": "Ou voltava como um covarde ou ficava como um herói".

Casto apostou no Brasil, formou uma família e hoje tem três filhos e uma neta à qual também conta as histórias da Galícia, para onde tenta voltar duas ou três vezes por ano.

Maria Dolores Daparte Souto, presidente da Sociedade Hispano Brasileira, chegou ao Brasil com 11 anos e apesar de estar há mais de cinco décadas no país mantém as tradições galegas que aprendeu com os pais.

"Falamos em galego com os filhos do meu irmão. Foi meu primeiro idioma", contou durante a apresentação do livro de Villares, traduzido para o português.

"História da Galícia: uma memória dos avôs europeus" é um dos livros que fazem parte do projeto editorial "Mar Maior Brasil", apresentado no Instituto Cervantes de São Paulo, cujo objetivo é a divulgação da cultura galega na região ibero-americana.

Os primeiros livros editados em português, além do de Villares, são 'Circe ou o prazer do azul', de Begoña Caamaño; 'No Brasil', de Javier Rodríguez Baixeras, e 'Merlim e família', de Álvaro Cunqueiro.

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