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Dança do ventre é só para mulheres? Esse dançarino egípcio acha que não

Samar Izzat

01/12/2016 10h03

O dançarino egípcio de dança do ventre Khalil Khalil quer quebrar "o conceito errado" que liga esta dança sensual exclusivamente às mulheres e já ganhou a aceitação do público no Egito, onde se dedica de forma profissional a esta arte.

Seu segredo, conforme disse à Agência Efe em entrevista, está em saber se adaptar: "Quando você está diante de um público tem que saber com quem está e o que gosta, para não gerar rejeição, e a partir disso, começar a subir até o ponto que o que faz agrada esse público".

Nascido há 29 anos na Argentina e filho de árabes, ele se expressa com a mesma paixão com a qual se movimenta no palco, mas também com a mesma cautela, por causa de sua particular condição de dançarino do ventre.

"Como homem, no Egito sou muito cuidadoso com todos os detalhes", afirmou, antes de explicar a importância da atitude e da busca de cumplicidade com o público, especialmente nesse país, onde dança em casamentos e festas, tanto para homens como para mulheres.

Um dos detalhes que estuda sempre com extremo cuidado são seus trajes no palco, mas também sua aparência fora dele.

Neste sentido, Khalil, que veste uma camisa de cor vermelha, diz que a roupa com a qual sobe nos palcos no Egito não é a mesma que usa no exterior.

"Os figurinos que podem ser usados fora, talvez aqui sejam muito destapados e muito sensuais", explicou o dançarino, antes de acrescentar que é ele mesmo que desenha sua roupa, embora conte para isso com o apoio de um estilista profissional.

Para ele, o importante quando um artista sobe ao palco para distrair o público com esta dança oriental não é seu sexo, mas "a encenação".

O jovem artista lembra as dançarinas dos anos 40, 50 e 60 no Egito, como Tahia Carioca, Samia Gamal e Naywa Fouad, entre outras que não só brilharam nos palcos, como no cinema.

Mas ele destaca que a partir dos anos 70, no Cairo, começou uma progressiva marginalização desta arte, que ele atribui ao crescimento enorme experimentado pela capital com a chegada de imigrantes do Egito rural.

"A sociedade egípcia tem evoluído com o tempo. Na verdadeira época da dança, ela era muito respeitada", disse Khalil, que tem a esperança de que a sociedade conservadora atual possa reverter essa involução em algum momento.

Por enquanto, e sempre inspirado nas estrelas imortais da dança, considera que ele mesmo está contribuindo para mudar essa tendência, conseguindo que o espectador egípcio o respeite e evitando "provocar rejeição" entre seu público.

No entanto, Khalil não se refere diretamente às dificuldades que enfrentam os profissionais da dança do ventre no Egito, onde, especialmente as mulheres, são mal vistas pela sociedade e em alguns casos têm que dançar em locais onde se pratica a prostituição.

Khalil, que não evitou nenhuma pergunta, mas estudou cada uma de suas respostas, assegurou que o dançarino é uma pessoa antes de ser artista: "Você não pode pretender no palco ser um artista de alto nível, se fora do palco é outra coisa", acrescentou.

"Por isso, a elegância e a classe, e a maneira de se comunicar, vem de baixo, e quem sobe ao palco é a pessoa, não um personagem", acrescentou.

Suas coreografias seguem o ritmo marcado pela música e pela canção: "Tenho uma estrutura e uma organização", explicou, mas ao mesmo tempo, "mudança, improvisamento e o aspecto lúdico (...) para não me entediar".

Estas variações, servem para melhorar e polir seu espetáculo, que do Egito viajou para países como China, Argentina e Chile, onde diz que teve boa acolhida e cada vez ganha mais fama, graças a "saber se adaptar a cada público em cada continente", disse.

"A dança evolui com sua pessoa, ou seja, você evolui como ser humano e também evolui sua forma de se expressar e se comunicar. É um processo interno, que vem de dentro para fora", explicou Khalil.

Dedicado totalmente à dança, ele revelou que não precisa se ater a um horário ou a um plano de ensaio, mas se exercita em qualquer momento do dia, quando o corpo pede.

Além disso, o dançarino afirmou que ninguém concorre com ele nos palcos, não porque seja um dos poucos homens que se dedicam profissionalmente à dança do ventre, mas porque - segundo disse - é "completamente diferente em todos os níveis".
 

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