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Túnel antinuclear é transformado em museu de vítimas do comunismo na Albânia

28/11/2016 06h08

Mimoza Dhima.

Tirana, 28 nov (EFE).- Um túnel antinuclear secreto da época comunista na Albânia se transformou em um museu que mostra os métodos de perseguição e os crimes cometidos durante a ditadura stalinista de Enver Hoxha, que comandou o país entre 1944 e 1985.

Inaugurado recentemente, o túnel, situado em pleno centro da capital Tirana, tem uma superfície de mil metros quadrados.

A "Coluna", como o local era chamado durante o comunismo, foi construída em segredo durante os anos de 1981 e 1986 para oferecer proteção aos integrantes do alto escalão da polícia e do Ministério do Interior no caso de um eventual ataque inimigo.

Este labirinto subterrâneo de paredes de concreto de mais de dois metros de espessura, considerado uma das maiores obras construídas no final do comunismo, nunca foi utilizado para o fim que foi criado.

O refúgio fazia parte dos 175 mil búnqueres (segundo números oficiais) de diferentes tamanhos espalhados por todo o país que o ditador stalinista Enver Hoxha construiu para resistir a uma hipotética invasão externa.

Sob o lema "Defesa, um dever acima de todos os deveres!" todo o povo se transformou em soldado, enquanto as forças armadas dispunham das mais sofisticadas armas de combate da época, desde submarinos, aviões de caça, morteiros, tanques, até milhares de fuzis de assalto kalashnikov.

A entrada do museu é um búnquer no qual são exibidas as fotos de cem albaneses executados pelo regime comunista.

As imagens estão expostas no interior da cúpula danificada durante um protesto contra o governo da oposição de direita em dezembro de 2015.

Os 24 quartos do túnel contam, através de fotos, documentos, vídeos e instalações, a história e a ação da polícia albanesa, da temível Sigurimi (polícia secreta comunista) e a perseguição política dos inimigos do antigo regime.

Mais de 6 mil pessoas foram fuziladas, outras 34 mil foram detidas como presos políticos e 59 mil foram mandadas para campos de trabalho forçado, onde 7 mil delas morreram.

Com o trabalho dos presos políticos foram construídas as principais obras industriais socialistas como fábricas, minas, ferrovias e canais de irrigação para a agricultura.

"Acredito que este museu servirá aos jovens para que eles conheçam o nosso sofrimento. Minha família viveu isto na própria carne", disse à Agência Efe Hane Petani, uma médica aposentada, que foi mandada para a cidade de Librazhd porque seu marido, o jurista Koçi Lubonja, criticou o regime em 1986 através de uma carta.

"Nós sabíamos que existia este refúgio, mas éramos proibidos de entrar porque era secreto", explicou, por sua vez, o visitante Bashkim, um oficial aposentado.

Já Flatun Jaupaj era um jovem oficial quando viu seus superiores fuzilarem três jovens que tentaram atravessar a fronteira com a Grécia, em Qaf Botë, sul do país, em 1990, um ano antes da mudança do sistema.

Ele contou que os corpos foram transportados em um caminhão militar e expostos na cidade vizinha de Shkallë, para causar medo na população e dissuadi-los de tentarem fazer o mesmo.

Aproximadamente cem pessoas foram executadas durante as tentativas de fuga pela fronteira terrestre, que era bloqueada por arame farpado e cercas elétricas de dois metros de altura.

Durante o regime comunista que transformou a Albânia no país mais isolado da Europa, fugir era um crime de alta traição à pátria.

"Hoxha exerceu punições extremas contra seu povo para se manter no poder. É difícil imaginar agora a crueldade de seus crimes", opinou Indrit Bajramaj, um estudante, enquanto observava em uma tela um relato das torturas a que a população foi submetida.

Este é o segundo túnel secreto subterrâneo aberto ao público em Tirana, depois do que servia para abrigar os integrantes do alto escalão do exército, situado no interior do monte Dajti.

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