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Bigas e história épica de "Ben-Hur" voltam ao circo de Hollywood

18/08/2016 06h00

David Villafranca.

Los Angeles (EUA), 18 ago (EFE).- O heroísmo transbordante, o glorioso Império Romano e as emocionantes corridas de bigas voltam ao circo de Hollywood com a nova versão do clássico "Ben-Hur", que estreia nesta quinta-feira no Brasil com Jack Huston, Morgan Freeman e Rodrigo Santoro no elenco, sob a direção de Timur Bekmambetov.

A rivalidade entre Judah Ben-Hur e Messala ganha nova vida após o filme mudo de 1925, dirigido por Fred Niblo, e, principalmente, o inesquecível filme de 1959, do cineasta William Wyler, protagonizado pelo magnífico Charlton Heston.

Em uma pequena conversa com a imprensa com a participação da Agência Efe, Morgan Freeman contou que não teve dúvidas na hora de embarcar na readaptação de um marco histórico do cinema.

"Trata-se de reimaginar uma história que já foi contada três ou quatro vezes. Eu já tinha trabalhado com Timur antes (no filme "O Procurado", de 2008) e sabia que é um diretor muito criativo", destacou o vencedor do Oscar de melhor ator coadjuvante em 2005 por "Menina de Ouro".

Além disso, Freeman contou que tentaram dar maior profundidade e conteúdo espiritual à trama de "Ben-Hur" nessa nova releitura.

"Todos buscamos a salvação e algum tipo de mundo no qual tenhamos segurança", argumentou o ator.

Com estreia mundial nesta quinta, o filme relata a história de Judah Ben-Hur (Jack Huston) e de seu irmão adotivo Messala (Toby Kebbell). Após ser acusado de traição, o personagem que dá nome ao filme é expulso de Jerusalém e passa vários anos como escravo em um navio.

No seu retorno, Ben-Hur encontra Sheik Ilderim (Morgan Freeman), que o ajudará a competir nas corridas de quadrigas em busca de vingança contra Messala e da recuperação de sua honra.

A nova versão de "Ben-Hur" inclui ligeiras e interessantes mudanças em relação ao filme de 1959. Assim, Messala não é o vilão cruel daquele filme. Enquanto isso, Jesus Cristo, interpretado por Rodrigo Santoro, e o tom religioso têm um peso muito mais importante nesta releitura.

Questionado sobre o interesse do público do século XXI em histórias antigas como a de "Ben-Hur", Morgan Freeman comentou que o cinema pode atrair "diferentes audiências".

"Temos jovens, que assistem a filmes de super-heróis, de ação total, em que a maioria das falas é 'me siga, espera aí'", disse, em tom de ironia Freeman, que considera que filmes "épicos" e "heróicos por si mesmos" como "Ben-Hur" são dirigidos a um público mais amplo.

Por sua vez, o ator britânico Jack Huston confessou que fez testes para o papel de Messala, mas que o diretor decidiu escalá-lo como Judah Ben-Hur por achar que o inglês compreendia bem a complexa relação entre os dois irmãos.

"Foi uma bela maneira de entrar no personagem, porque as pessoas que você mais ama são as pessoas que mais podem te ferir (...). Para o momento de redenção e perdão, você precisa sentir o amor dos irmãos", explicou Huston.

O ator também fez questão de mostrar sua paixão pelo filme de 1959. "Era uma história que ainda sinto relevante, muito moderna, de certa forma. Como ator, você busca sempre grandes personagens e Judah Ben-Hur é um deles, pela trama que tem", declarou.

O britânico também mostrou admiração pela adrenalina trazida pelas cenas de corridas de bigas, auge da ação em qualquer filme sobre "Ben-Hur".

"Os cavalos iam a mais de 60km/h, a todo gás. Quando você faz uma curva, não é você que faz a curva, apenas se deixa levar", descreveu o ator, que comparou as disputas com bigas na Roma Antiga com a Fórmula 1 e a Nascar da atualidade.

Por fim, Huston falou sobre a diferença entre sua caracterização de Judah Ben-Hur e a feita por Charlton Heston no clássico de 1959.

"O Ben-Hur de Charlton era um homem maduro e a rivalidade com Messala podia ser vista desde o primeiro momento no filme. Por outro lado, o meu personagem é como um menino perdido. Um príncipe vivendo em sua bolha e que se vê forçado a uma nova vida, para qual a princípio não é capaz. É um amante, não um lutador", analisou o ator.

De qualquer maneira, o novo "Ben-Hur" terá que resistir como puder às comparações com o extraordinário filme de 1959, que marcou toda uma época ao conquistar 11 Oscar, um recorde que até hoje só foi igualado por "Titanic" (1997) e "O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei" (2003).

Graças a uma gigantesca produção e a longuíssima trama de quase quatro horas, a versão de "Ben-Hur" protagonizada por Charlton Heston tornou-se marcante pela sua luxuosa combinação de aventuras épicas e drama histórico.

Além disso, a produção foi um dos últimos grandes momentos do sistema de grandes estúdios antes que a Nova Hollywood transformasse a indústria do cinema nos anos 60.

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