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Azarão, filme colombiano quer bater favoritos ao Oscar de filme estrangeiro

26/02/2016 13h04

David Villafranca.

Los Angeles (EUA), 26 fev (EFE).- Primeiro filme colombiano a ser indicado ao Oscar, "O abraço da serpente", de Ciro Guerra, estará na 88ª edição do Oscar como azarão, mas como esperança de ganhar a estatueta de melhor filme estrangeiro e surpreender o grande favorito, o húngaro "O filho de Saul".



"O ABRAÇO DA SERPENTE" (Colômbia) - A Amazônia imaginada.

Antes de fazer história com a primeira indicação ao Oscar para um filme colombiano, o longa do diretor Ciro Guerra causou sensação em festivais de cinema de todo o mundo, como o de Cannes, onde levou o prêmio mais importante da Quinzena de Produtores, o Art Cinema Award.

Rodado em branco e preto para retratar uma Amazônia majestosa, "O abraço da serpente" mostra, através do olhar dos indígenas, o encontro e o choque entre culturas diferentes.

"Sinto que é o momento para que nós, como colombianos, comecemos a reconhecer nossa herança indígena", explicou Guerra em entrevista recente à Agência Efe.

"Estar na Amazônia questiona profundamente todos os aspectos do que você acha que é ser humano", afirmou o cineasta para explicar que adotar a perspectiva indígena foi "um grande desafio que exigiu eliminar preconceitos e ideias preconcebidas".

Brincando com o tempo e o espaço, o filme conta paralelamente as relações entre o xamã Karamakate, último sobrevivente de sua tribo, com o etnólogo alemão Theodor Koch-Grünberg e, anos depois, com o biólogo americano Richard Evans Schultes.



"O FILHO DE SAUL" (Hungria) - O favorito a ser batido.

O húngaro "O filho de Saul" ganhou o Grande Prêmio do Júri em Cannes e o Globo de Ouro de melhor filme estrangeiro, o que o tornou o grande favorito ao Oscar nesta categoria, o que coroaria uma trajetória muito bem sucedida.

Protagonizado por Géza Röhrig, o filme relata o trabalho de um comando especial de prisioneiros que ajudavam os nazistas na limpeza após o extermínio de judeus.

O filme tenta inovar no aspecto formal, ao evitar as cenas mais desagradáveis ou aterrorizadoras do Holocausto, desfocadas ou à longa distância, o que no entanto aumenta a dureza de uma história estremecedora.

"O Holocausto parece que se transformou em uma distração; para mim é uma face humana e não se deve esquecê-la", afirmou o diretor Nemes em seu discurso ao receber o Globo de Ouro.

A história se tornou uma das maiores bilheteiras de seu país, mas que também recebeu ataques antissemitas da extrema-direita.

Esta é a nona indicação de um longa-metragem húngaro para o Oscar de melhor filme estrangeiro, prêmio que só "Mephisto" (1981), de István Szabó, conseguiu.



"CINCO GRAÇAS" (França) - Pela liberdade das mulheres.

Dirigido pela estreante Deniz Gamze Ergüven, "Cinco Graças" mostra a luta pela liberdade de um grupo de meninas em uma pequena cidade da Turquia que enfrenta e combate os tabus sociais e as imposições da tradição.

Representante da França no Oscar, o filme é uma coprodução com Alemanha, Turquia e Catar e lida com temas como família, rebeldia e convenções sociais.

"A liberdade é possível na Turquia, porque é uma sociedade muito diversa e heterogênea, mas há lugares em que está especialmente condicionada pelas tradições, que confinam a mulher a um lugar menos livre do que deveria aspirar", disse a produtora, nascida na Turquia e estabelecida na França, à Agência Efe.

"Acredito em defender o que há de bom em ambas as sociedades, com ideias que deveriam se abraçar e ser compatíveis, como a França valoriza o homem em sua individualidade até o sentimento de comunidade entendido como algo positivo na Turquia", acrescentou.

Além da indicação ao Oscar e ao Globo de Ouro, "Cinco Graças" levou o prêmio de descoberta do ano para sua diretora nos últimos prêmios do Cinema Europeu.





"O LOBO DO DESERTO" (Jordânia), o cinema que chega do deserto:

A aposta exótica e surpreendente deste Oscar vem da Jordânia, com "O Lobo do Deserto", filme com atores e roteirista novatos dirigido pelo também estreante Naji Abu Nawar.

O filme relata as aventuras no deserto em 1916 de uma criança beduína, Theeb (Yasser Eid), que persegue seu irmão Hussein e um oficial inglês que tentam encontrar o caminho para um poço abandonado.

O diretor Naji Abu Nawar e o roteirista Base Gandur contaram a Efe recentemente que passaram um ano no deserto de Wadi Ram, no sul da Jordânia, "falando com os beduínos para narrar a história com realismo".

"Cresci com histórias da cultura beduína, meu pai me contava histórias de beduínos; noites beduínas, coisas beduínas e guerreiros beduínos, acho que por isso gosto de contá-la", acrescentou o diretor, que deu à Jordânia sua primeira indicação ao Oscar e que levou o prêmio de melhor diretor da seção Horizontes no Festival de Cinema de Veneza.



"GUERRA" (Dinamarca) - O trauma da guerra.

Um pesadelo recorrente e muito presente nos Estados Unidos, o trauma da guerra no Afeganistão é a base narrativa de "Guerra", filme dinamarquês dirigido por Tobias Lindholm e protagonizado por Pilou Asbæk e Tuva Novotny.

A ação do longa está focada, por um lado, em um militar dinamarquês alocado no Afeganistão e, pelo outro, na vida de sua mulher e suas crianças em sua casa na Dinamarca, até uma decisão do militar no campo de batalha transformar a vida de todos.

Esta é a 11ª vez que a Dinamarca entra na lista dos indicados ao Oscar de melhor filme estrangeiro, levando a estatueta três vezes: "A Festa de Babette" (1987), "Pelle, o Conquistador" (1988) e "Em um Mundo Melhor" (2010).

Os outros indicados dinamarqueses foram "Qivitoq" (1956), "Filho de Dois Mundos " (1959), "Harry e o Mordomo" (1961), "Dançando pela Vida" (1989), "Depois do Casamento" (2006), "O Amante da Rainha" (2012) e "A Caça" (2013).

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