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Atores brancos aumentam polêmica sobre falta de diversidade racial no Oscar

22/01/2016 19h12

Antonio Martín Guirado.

Los Angeles (EUA), 22 jan (EFE).- A polêmica em torno da falta de atores negros entre os indicados ao Oscar 2016 parece ter chegado a seu ponto mais alto após declarações de Michael Caine e Charlotte Rampling.

"Há um monte de atores negros, mas você não pode votar em um ator porque ele é negro. Você não pode dizer: 'Ele não é muito bom, mas ele é negro. Vou votar nele'. Você tem que ter um bom desempenho", disse o veterano, de 82 anos, durante uma entrevista à "BBC Radio 4".

Em seguida, ele elogiou Idris Elba por seu papel em "Beasts of No Nation" e afirmou que o ator estava "maravilhoso". Quando o entrevistador disse que Idris Elba não estava entre os candidatos ao Oscar, Caine falou: "Bem, veja o meu caso. Ganhei o prêmio de melhor ator do European Film Awards (por "Juventude") e não fui indicado para mais nada. Seja paciente. Eu levei anos para ganhar um Oscar. Claro que eles ganharão".

Charlotte Rampling, indicada pela primeira vez ao Oscar pelo filme "45 Anos", no entanto, foi um pouco mais dura.

"Talvez os atores negros não merecessem estar na lista final. Boicotar o Oscar é racismo contra os brancos", disse ela em entrevista à rádio francesa "Europe 1".

A atriz britânica, de 69 anos, criticou a ideia de a Academia fixar cotas para as indicações.

"Por que classificar as pessoas? Hoje em dia todo mundo é mais ou menos aceito. As pessoas sempre dizem: 'Ele é menos bonito'; 'Ele é muito negro'; 'Ele é muito branco'. Alguém sempre vai dizer: 'Você é muito isso ou aquilo'. Mas por causa disso devemos concluir que é preciso ter um monte de minorias em todos os lugares?", comentou.

A mesma opinião teve o produtor Gerald Molen ("A Lista de Schindler"), que chamou de "mimados" os que protestam pelo tema.

"Não há racismo, exceto para aqueles que criam um problema. Essa é a pior espécie. Usando um modo tão feio de se queixar", afirmou ele em declarações ao portal "The Hollywood Reporter".

Alguns afro-americanos também entraram no debate. John Singleton, primeiro negro a conseguir uma indicação ao prêmio de melhor diretor ("Os Donos da Rua" - 1991), comentou que a situação não deveria ser alvo de polêmica e que os indicados não dependem da cor, mas da quantidade de filmes com qualidade suficiente para estar na maior festa da indústria do cinema.

"Existem poucas vagas disponíveis. Há uns filmes que poderiam ter atraído mais atenção, mas é tudo subjetivo. É quase como a loteria. As pessoas reclamam mesmo quando temos um monte de indicações. Eu estive no jogo por 25 anos. Você nunca sabe. É questão de sorte. Não estou surpreso. Não estou desapontado tanto quanto outras pessoas. Há toda uma elevação de trabalho que acontece", afirmou o diretor em declarações ao site da revista "Variety".

Tudo começou logo após a divulgação dos nomes dos indicados ao Oscar no último dia 14. Dos 20 candidatos nas categorias de atuação, pelo segundo ano consecutivo, nenhum é negro.

O cineasta Spike Lee e atriz Jada Pinkett-Smith, esposa de Will Smith, foram os primeiros a criticar e anunciaram que não irão à festa como forma de protesto. Pouco depois o diretor Michael Moore aderiu à campanha, e ontem Will Smith declarou que também não participará do evento. O cantor Tyrese Gibson e o rapper 50 Cent foram além e pediram ao comediante Chris Rock, que vai apresentar a cerimônia, para desistir do convite.

Quase que diariamente novos nomes se somam à campanha #OscarAindaMuitoBranco. Reese Witherspoon afirmou que "gostaria de ver um grupo mais diverso entre os membros eleitores da Academia", Lupita Nyong'o disse estar "decepcionada pela falta de inclusão nas indicações", e David Oyelowo declarou que "a Academia não reflete o que é a nação".

Indicada ao Oscar por "Dúvida" (2009) e "Histórias Cruzadas" (2011), Viola Davis, que em 2015 se tornou a primeira negra a ganhar um Emmy de melhor atriz pela série dramática "How to Get Away with Murder", resumiu a situação.

"O Oscar é um sintoma de um problema muito maior, que é o sistema de produção de filmes em Hollywood. O problema nem está nos nossos pagamentos, disse.

"Você poderia listar as principais atrizes negras por aí e elas provavelmente não vão ganhar o que algumas das principais atrizes brancas ganham. Aí está o problema. Você pode mudar a Academia, mas se não houver filmes para negros sendo produzidos, o que há para votar?", questionou ela ao programa "Entertainment Tonight".

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