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"Dança gangster" cria oportunidades para jovens nos guetos sul-africanos

Reprodução/IDA
Jovens da cidade de Tembisa, na África do Sul, dançam pantsula Imagem: Reprodução/IDA

Marcel Gascón

Da EFE, em Johanesburgo

29/12/2015 06h03

Transformar a dança dos meninos maus para lutar contra a marginalização nos antigos guetos negros sul-africanos: essa é a bem-sucedida receita da Academia de Dança Indígena de Johanesburgo, que tira das ruas os jovens talentosos e dá eles oportunidades nos palcos.

A pantsula é uma dança sul-africana tradicionalmente associada aos gângsteres e outros delinquentes que segue sendo praticada pelos jovens de Tembisa, uma "township" no nordeste de Johanesburgo no qual vivem mais de 500 mil pessoas.

A academia, fundada por Jarrel Mathebula em 2005, tenta transformar essa forma de expressão urbana em trabalho. Os alunos ganham dinheiro em coreografias promocionais, atuações ou gravações de vídeos, abrindo as portas do mundo do entretenimento aos jovens.

Em um sábado de manhã, cerca de 20 dançarinos participam de uma das aulas na sede da escola, no quintal da casa da tia de Mathebula em Tembisa. A academia já conta com 35 alunos, com idades que variam entre 5 e 30 anos.

No meio dos ensaios para aperfeiçoar a técnica da pantsula, Mathebula pede que os alunos repitam até o momento sua melhor criação com a dança: uma coreografia para o vídeo da música "In the Castle of my Skin", do grupo britânico Sons of Kermet.

Gravado em um campo aberto entre as casas dos guetos que o apartheid projetou para os negros que serviam os brancos nas cidades sul-africanas, o vídeo mostra os dançarinos da academia elegantemente vestidos --parte deles de terno e outra com coletes-- e gravata borboleta.

A aparência de orquestra disciplinada e profissional é uma poderosa metáfora das aspirações da Academia de Dança Indígena de Johanesburgo (IDA, na sigla em inglês). "Queremos que as pessoas possam ver o pantsula de outra forma", explicou Mathebula à Agência Efe, acrescentando que o objetivo final é romper o ciclo de desemprego e pobreza em locais como Tembisa.

Além de consolidar o estilo, a IDA oferece aos jovens modelos de referência e apoio para se concentrar na nova carreira e explorar as novas oportunidades criadas a partir da dança. "A escola permite que meninos de comunidades desfavorecidas ganhem a vida com o que gostam, graças às atuações que fazem para anúncios ou atos promocionais de empresas ou marcas, vídeos musicais etc", afirmou Lebogang Rasethaba, sócio de Mathebula e ligação da academia com o mundo empresarial.

Na vertente puramente artística, a escola explora novas possibilidades para a pantsula, uma dança unida desde o início ao kwaito, variante lenta e popular do house com elementos africanos que nasceu no final dos anos 1980 entre a juventude negra e urbana da África do Sul.

Com a parceria com o Sons of Kermet, a IDA colocou a pantsula pela primeira vez em contato com o jazz, com resultados que entusiasmaram a crítica e abriram portas a outros experimentos.

"Foi um desafio do qual estou muito satisfeito", disse Mathebula, que tem 30 anos e trabalha como consultor de negócios, apesar de ter aberto a escola quando tinha apenas 18 anos. "Todo mundo gostava de como eu dançava nas festas, nos desafios de rua", revela Mathebula, que decidiu iniciar o projeto para salvar a si próprio e outros jovens do alcoolismo e da violência.

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