Livros e HQs

Mundo literário ficou de luto com a morte de Grass e Galeano em 2015

23/12/2015 17h52

A reportagem jornalística alcançou o auge com o Nobel de Literatura 2015 para a bielorrussa Svetlana Alexiévich, em um ano em que o mundo literário ficou marcado pelo luto das mortes do nobel alemão Günter Grass e do uruguaio Eduardo Galeano.

O ano também contou com a perda da espanhola Carmen Balcells, a agente literária de Gabriel García Márquez, Pablo Neruda e Mario Vargas Llosa, que possibilitou o "boom" da literatura latino-americana.

Outros ícones se foram em 2015, como o sueco Henning Mankell, os britânicos Oliver Sacks, Ruth Rendell e Raymond Carr, e o espanhol Rafael Chirbes, entre outros.

Apesar das mortes, o ano também foi marcado por celebrações, pelo menos para o mexicano Fernando del Paso, que recebeu o prêmio Miguel de Cervantes; para o cubano Leonardo Padura, que obteve o Princesa das Astúrias das Letras, e para a uruguaia Ida Vitale, que ganhou o rainha Sofía de Poesia Ibero-Americana, o maior reconhecimento do gênero. Outro homenageado foi o colombiano Pablo Montoya, que levou o prestigiado Rómulo Gallegos.

Mas foi o gênero jornalístico que chegou ao ápice com o Nobel de Literatura 2015 para Svetlana Alexievich, de 67 anos, por "seus escritos polifônicos, um monumento ao sofrimento e à coragem em nosso tempo".

Alexievich é autora de "A guerra não tem rosto de mulher" (1983), considerada uma obra prima do jornalismo investigativo sobre as mulheres que combateram na Segunda Guerra Mundial; Tsinkovye Málchiki (Meninos de zinco), sobre a guerra no Afeganistão; "Vozes de Chernobyl" (1997), na qual documenta a maior catástrofe nuclear da história; "Últimas testemunhas" (2004) e "O tempo de segunda mão" (2013), sobre a desintegração da URSS.

Professora de jornalismo literário, gênero com o qual relata o fracasso da utopia soviética, Alexievich é dona de um estilo que une o romance, a entrevista e a crônica que batizou como "romance de vozes".

A premiação ocorreu nove meses depois que o terrorismo jihadista atentou contra a liberdade de expressão ao matar vários integrantes da revista satírica francesa "Charlie Hebdo", em Paris.

Quem também vinha do jornalismo era Galeano, considerado um dos mais destacados autores da literatura latino-americana, criador de "As veias abertas da América Latina" (1971), censurada pelas ditaduras militares de Uruguai, Argentina e Chile, e "Memória do fogo" (1986), outra de suas obras mais conhecidas, neste caso sobre a história da América Latina.

O acaso quis que Galeano morresse aos 74 anos, em 13 de abril, um dia de luto para a literatura mundial que também contou com o falecimento do nobel alemão Günter Grass, aos 87 anos, uma consciência crítica da época em que viveu. "Vamos à terceira guerra mundial", disse pouco antes de morrer.

Perdas
Embora continuem a viver em seus livros, outros autores morreram neste ano, entre eles o neurologista e escritor britânico vítima de câncer Oliver Sacks (82 anos), cujas obras sobre as reviravoltas da mente humana venderam milhões de exemplares no mundo todo.

"Acima de tudo, fui um ser com sentidos, um animal pensante, neste maravilhoso planeta e isto foi um enorme privilégio e uma aventura", disse Sacks em despedida com um emocionante artigo no "The New York Times".

O câncer também encerrou a trajetória do sueco Henning Mankell, aos 67 anos, mestre do suspense nórdico e um dos narradores mais lidos e homenageados da Europa por seu inspetor Kurt Wallander.

Grande referência do suspense de mistério, a britânica Ruth Rendell, respeitada pela profundidade psicológica de suas obras, faleceu aos 85 anos neste ano, enquanto o compatriota Raymond Carr, o grande historiador da Espanha contemporânea, aos 96.

 

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