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Prêmios Nobel ganham interpretações inusitadas em exposição na Suécia

AFP
O poeta Pablo Neruda recebe o Prêmio Nobel de Literatura de 1971 Imagem: AFP

Carmen Rodríguez

Estocolmo

09/12/2015 06h07

O design sueco, conhecido no mundo todo, não se cansa de lançar interpretações na moda, na música ou em forma de objetos e o Prêmio Nobel, o mais famoso e prestigiado do mundo, é o alvo da vez.

Alunos da Kungliga Musikhögskolan i Stockholm, a escola de música de Estocolmo, e do Beckmans Designhögskola, a escola de moda da capital, colocaram a mão na massa e, depois de refletirem sobre a importância de cada um dos prêmios que o rei Carl Gustaf da Suécia entregará na próxima quinta-feira, realizaram suas nada convencionais interpretações em roupas, composições e peças de design.

Desde o último dia 4, o Museu Nobel abriga esses trabalhos, que agora dividem o espaço com os objetos que cada premiado doa ao centro, como o gravador e as fitas que a jornalista Svetlana Alexievich usou para registrar os depoimentos que a inspiraram em suas criações e que lhe renderam o Nobel de Literatura neste ano.

No último domingo, os agraciados começaram sua estadia em Estocolmo com uma visita ao Museu Nobel. Lá, puderam ver como estudantes na faixa dos 20 anos imaginaram outra forma de retratar as descobertas e conquistas que lhe valeram o prêmio.

"Eles ficaram surpresos e encantados", disse à Agência Efe um funcionário do Museu que preferiu não se identificar, cujo diretor, Olov Amelin, acredita que "a interpretação artística das ideias científicas pode parecer estranha, mas proporciona novas vias de entendimento e pode abrir a porta a outro universo criativo".

Assim, um grande comprovante de cartão de crédito se transforma em um volumoso vestido branco para retratar o trabalho do americano Angus Deaton, que este ano ganhou é o Nobel de Economia.

Deaton, que durante sua visita ao Museu autografou o enorme "vestido-recibo" criado pelo estudante de moda Robert Jonsson, foi premiado por suas análises sobre o consumo, a pobreza e o bem-estar, através de escolhas de consumo individuais.

A "obra polifônica" de Svetlana Alexievich, construída sobre os relatos de milhares de pessoas que ela entrevistou, inspirou as estudantes de moda Marie Isacsson e Matilda Ivarsson a criar um vestido longo coberto com uma espécie de avental de plástico e um casaco azul volumoso.

"Nossa maior influência foi o livro 'A guerra não tem rosto de mulher'", explicou Marie à Agência Efe.

Um jogo de xícaras e uma chaleira de inconfundível design sueco é o objeto que dá vida ao Nobel de Medicina concedido, entre outros, à chinesa Tu Youyou, que revolucionou o tratamento da malária com a artemisinina, um extrato da planta Artemisia annua, resultado que obteve por seus conhecimentos de medicina tradicional chinesa.

Já a capacidade de reparação do DNA quando se produzem erros valeu o Nobel de Química a Tomas Lindahl, Paul Modrich e Aziz Sancar e a conquista se transformou em uma série de recipientes pretos idênticos, que representam a capacidade do composto químico de se replicar, mas que apresenta pequenas imperfeições individuais como sinais dessa reparação.

Alguns Nobels podem também ser escutados e a música que conta o prêmio de Física de Takaaki Kajita e Arthur McDonald, por descobrir que os neutrinos têm massa, sugere o grande mistério que caracteriza tudo o que hoje se sabe sobre o mundo das partículas subatómicas e as funções incríveis que nele se produzem.

A exposição com criações baseadas nas conquistas dos vencedores do Nobel fica aberta ao público até 6 de março do ano que vem.

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