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São Paulo se rende ao violão de Pepe Habichuela

19/11/2015 04h17

São Paulo, 18 nov (EFE).- Soam seis cordas flamencas e o público brasileiro emudece. É Pepe Habichuela, o mestre do violão espanhol, que encanta o país após 43 anos de ausência.

Neto, filho, irmão, pai e tio de flamencos, o andaluz não necessita de mais que uma cadeira e um violão espanhol para fazer com que o silêncio tomasse conta das 1.400 pessoas que encheram na noite desta quarta-feira o auditório do Tom Brasil, em São Paulo.

E é que, "embora seja triste dizer", o flamenco é mais admirado fora do que dentro da Espanha. Assim garantiu Habichuela durante uma entrevista para a Agência Efe antes do Festival Estrella Galicia, que aterrissa pela primeira vez em solo brasileiro.

"É preciso aprender com estas coisas que acontecem por estes mundos de Deus, que na Espanha estamos um pouco adormecidos", disse o artista sem hesitar. Aos seus 71 anos, Habichuela não mede suas palavras: "a música na Espanha não é levada a sério. É preciso sair para que a valorizem".

Algo de razão deve ter um dos Carmona quando 'Resuene', a primeira 'soleá' que sai de seu instrumento, provoca nos ouvintes uma ovação sem igual.

Mas o músico continuou: "havia bons espetáculos de flamenco nos anos 1970 na Espanha. Hoje em dia há mais coisas para o turismo". E acrescentou: "nestes tempos, a verdade é que o flamenco se transformou em algo mais folclórico".

Habichuela, que dividiu o palco com cantores do tamanho de Camarón de la Isla, Enrique Morente e Juanito Valderama, o fez hoje com Filipe Catto, uma jovem promessa da Música Popular Brasileira (MPB).

"São estilos totalmente distintos, mas estão unidos, são da mesma família", explicou Habichuela. Para comprovar isso, Catto se atreve até com 'Rosa María', de Camarón e, ao término da canção, não pode deixar de dizer: "não há nenhuma outra música que diga tanto sobre a paixão".

Segundo Habichuela, o flamenco é um dos ritmos que melhor soube se adaptar aos novos tempos através de fusões com outras melodias.

E seu cruzamento de sons, no meio do caminho entre o flamengo tradicional e o contemporâneo, é o exemplo vivo disso. Apesar de, após uma vida inteira inovando, sua influência continuar sendo Sabicas, considerado por muitos o impulsor da internacionalização do ritmo espanhol por excelência.

No palco de São Paulo coexistem durante duas horas e meia os timbres de Catto, frequentemente comparados com os do lendário Ney Matogrosso, com os acordes da banda de luxo que acompanha Habichuela.

Trata-se de Bandolero, de Jorge Pardo, de Javier Colina e de Josemi Carmona, que substitui seu pai quando Catto também aparece em cena.

Na realidade, Habichuela só toca junto com Catto no final. O motivo? "Filipe não me deixou aparecer mais", brincou o artista já no camarim.

O músico está satisfeito. Foi um concerto que, por mais que haja experimentos, continua sendo como os de antes. "Não se esqueça, o que eu faço é flamenco puro", concluiu.

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