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Proeza da engenharia de 500 anos, Caminho Inca é exposto em Washington

26/06/2015 10h06

Cristina García Casado.

Washington, 26 jun (EFE).- O Caminho Inca, uma rede viária de 40 mil quilômetros e mais de 500 anos, é uma proeza de engenharia que, como Machu Picchu, sobreviveu a terremotos e fortes chuvas melhor do que algumas construções mais modernas.

A grande façanha do sistema viário inca, construído sem rodas, ferramentas de ferro ou animais de tração, é o tema da primeira exposição bilíngue do Museu Nacional do Indígena Americano da Instituição Smithsonian, em Washington.

"O grande Caminho Inca, construindo um império", poderá ser visto gratuitamente a partir deste 26 de junho e até 1º de junho de 2018 na capital americana, e depois viajará aos seis países que herdaram o sistema viário: Colômbia, Equador, Peru, Bolívia, Chile e Argentina.

"Esse é nosso compromisso, que seja uma exposição itinerante", disse à Agência Efe o curador da mostra, o peruano e quíchua Ramiro Matos.

"Esta é a primeira grande exibição sobre o Caminho Inca, houve muitíssimas sobre cultura, tecidos ou cerâmica, mas esta é a primeira dedicada ao sistema viário", explicou Matos.

Na mostra, muito pedagógica como são todas as do Smithsonian, estarão expostos 140 objetos dos fundos do museu, um mapa muito completo e atualizado da via, e a primeira maquete virtual da cidade inca de Cuzco.

Partindo de Cuzco, a capital do Império Inca, o Caminho ("Qhapaq Ñan", em quíchua) permitia percorrer as quatro regiões ("suyu") do território ("Tahuantinsuyo") e ainda hoje, mais de cinco séculos depois, cerca de 500 comunidades quíchuas e aimaras continuam a usar 12% deste sistema viário.

O Qhapaq Ñan, declarado Patrimônio da Humanidade pela Unesco em 2014, foi a construção de maior envergadura da América nos tempos do apogeu inca, e ferramenta chave para a rápida expansão do império.

"Os incas não fizeram tudo. Mil anos antes de Cristo, os chavín já estavam construindo seus caminhos para unir uns templos com os outros. Os incas recolheram, com muito talento, a experiência destes povos anteriores", comentou Matos.

O Caminho Inca passa através de altitudes de mais de 4.876 metros sobre o nível do mar e percorre planícies, selvas, desertos, vales e montanhas.

"É fundamental entender o manejo da água pelos incas, eram gênios nisto, conseguiram um milagre de grandes construções como Machu Picchu terem sobrevivido a fortes chuvas graças a esses sistemas", explicou à Efe o segundo curador da exposição, o cubano e taíno José Barreiro.

"Muitas vezes as apresentações feitas sobre os incas destacam o macabro, um lado que todas as civilizações têm. Nós nos concentramos na grande proeza de engenharia que conseguiram com os poucos recursos da época", acrescentou Barreiro.

Caminhando por cerca de 32 quilômetros por dia dia seriam necessários mais de três anos para percorrer toda a extensa rede de caminhos que compõem Qhapaq Ñan.

Os trabalhos desta exposição começaram em 2008, em plena crise econômica mundial, e todos os objetos expostos pertencem à coleção do museu.

Das 800 mil peças que o Smithsonian têm no total, 200 mil são latino-americanas e 400 pertencem ao período inca, e serão devolvidas sob a política de "repatriar" todas as peças que tenham um especial significado para o país de origem.

A expectativa é que a mostra seja visitada por 5,2 milhões de pessoas nos três anos em que estará exposta em Washington.

O Museu Nacional do Indígena Americano abriu suas portas em 2004 após uma preparação de 15 anos e sob um grande impulso de organizações indígenas de toda a América, já que a visão do centro é continental.

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