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Mito de Carlos Gardel retorna a Buenos Aires 80 anos após sua morte

24/06/2015 06h16

Irene Valiente.

Buenos Aires, 24 jun (EFE).- Fotografias, sapatos, cartas, chapéus e até um terno de Carlos Gardel estão sendo exibidos em Buenos Aires por ocasião do 80º aniversário de sua morte em um acidente de avião que transformou esta referência do tango em um mito para os argentinos.

"Era um apaixonado pela vida, um apaixonado pelo que fazia e que dedicou sua vida, a sua obra, a seu personagem", declarou à Agência Efe Walter Santoro, o diretor-executivo da Fundação Indústrias Culturais Argentinas, proprietária dos objetos e documentos originais que nunca tinham sido expostos ao público e que agora estão no Museu Histórico Nacional da capital argentina.

Uma gravata, um mate, uma piteira, um violão, presentes, fotos e telegramas são algumas das peças que formam a mostra "Carlos Gardel, do homem ao mito", uma denominação que o artista ganhou ao morrer em 1935 em um acidente aéreo na Colômbia quando estava no auge de sua carreira.

A exposição percorre sua vida, sua relação com a música e o cinema e as circunstâncias de sua morte, que conta com uma seção própria na qual são exibidas as manchetes de jornais posteriores à tragédia área, assim como destroços recuperados do acidente e a última foto de Gardel antes de entrar no avião em que realizaria sua última viagem.

Santoro acredita que a aura de mistério que existe em torno do cantor e compositor surge, principalmente, porque os colecionadores guardaram toda a documentação durante estes 80 anos, o que fez com que surgissem muitas "ideias e invenções" que durante os próximos anos serão derrubadas e, finalmente, se saberá "a história verdadeira".

O diretor da fundação define Gardel como um "estudioso" que "se construía todos os dias", alguém que estava "casado com seu trabalho" e sem o qual o tango não poderia ser entendido.

"Não nego que (o tango) existiria de qualquer forma, mas seria algo completamente diferente", comentou Santoro, reforçando que a contribuição do artista à música popular argentina é "quase imensurável".

Segundo Santoro, Gardel marcou um estilo "que faz com que hoje o mundo reconheça" o gênero do tango.

A fama de Gardel não foi momentânea para Santoro, mas "superou o tempo e continua crescendo, porque sempre cantou com emoções e qualquer um que o escute vai querer escutar mais e não conseguir parar".

Por esse motivo, o diretor da fundação pede a criação na Argentina de um museu do tango, no qual este tipo de exposição seja permanente e não apenas em datas como a deste 24 de junho, que lembra o 80º aniversário de sua morte, quando Buenos Aires se enche de homenagens ao artista.

Santoro considera que existem poucas coisas mais populares que Gardel e o tango, gênero que surgiu nos subúrbios portenhos nos quais cresceu o artista supostamente nascido na França, mas que ele define como "platino".

"Seu coração o mantinha aqui", comentou, embora acredite que, no final, passou a ser um "cidadão do mundo".

Para Santoro, Gardel se transformou em um representante do folclore argentino e realizou uma contribuição "indiscutível" ao cinema ao chegar às salas da França e Estados Unidos para se transformar no "principal expoente latino".

No entanto, a estreia de Gardel na grande tela foi na Argentina em 1917 por meio do filme mudo "Flor de Durazno", algo que parece estranho para Santoro, como tudo o que rodeia o artista, porque nesse momento ele não era famoso, mas tudo isso pode ser atribuído à história de Gardel e de seu "carma".

Duas coisas que Santoro agora tenta transmitir aos mais jovens para que entendam que Gardel foi o "precursor" do tango, alguém "impressionante" que fez com que as classes altas começassem a dançá-lo e pôs a cultura argentina no foco internacional.

"'Você é Gardel' era uma frase que queria dizer 'você é o melhor'. Isso era Gardel", concluiu.

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