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Esculturas de cavalo gigantes da chancelaria de Hitler são encontradas

Uma das esculturas de cavalo feitas por Josef Thorak, em frente à Chancelaria de Hitler em Berlim, na época da Segunda Guerra Mundial - Reprodução/Bild
Uma das esculturas de cavalo feitas por Josef Thorak, em frente à Chancelaria de Hitler em Berlim, na época da Segunda Guerra Mundial Imagem: Reprodução/Bild

De Berlim

20/05/2015 12h52

A polícia da Alemanha encontrou em um depósito no Estado da Renânia-Palatinado (sudoeste do país) duas esculturas gigantes que representam dois cavalos e que ficavam na frente da chancelaria de onde Adolf Hitler regia os destinos do Terceiro Reich, disse nesta quarta-feira (20) um porta-voz da polícia em Berlim, depois que o jornal "Bild" antecipou a descoberta.

Os dois cavalos, obras do escultor Josef Thorak (1889-1952), estavam desaparecidos desde 1989 e, nos últimos anos, haviam sido oferecidos no mercado negro por preços que variavam de US$ 1,6 milhão a US$ 4,4 milhões.

Em 1943, em plena guerra, Hitler ordenou a transferência das obras de Thorak, um de seus artistas favoritos, e outras esculturas a um escritório a 20 quilômetros de Berlim, onde as peças foram achadas depois pelo Exército Vermelho. A chancelaria de Hitler foi destruída logo após a Segunda Gurerra Mundial.

Hitler - AP - AP
O líder nazista Adolf Hitler
Imagem: AP
As esculturas e outras peças nazistas passaram, a partir de 1950, a fazer parte da decoração de um campo de esportes do exército soviético em Eberswalde, cidade próxima a Berlim.

Em janeiro de 1989, a historiadora da arte Magdalena Busshart publicou um artigo sobre as esculturas no jornal "Frankfurter Allgemeine" no qual, entre outros detalhes, falava da localização das obras no campo esportivo. Semanas depois, uma leitora escreveu uma carta à publicação advertindo que as esculturas tinham sido retiradas do lugar indicado.

Segundo o "Bild" ainda não está clara a forma como elas desapareceram e, através dos anos, diversas hipóteses foram ventiladas, desde sua mudança para Moscou até a venda das esculturas por parte do regime da extinta Alemanha Oriental para obter divisas. A última hipótese se refere à figura de Alexander Schalck-Golodkowski, um curioso personagem do regime comunista cuja missão era conseguir divisas. Para isso, ele costumava retirar obras dos museus do país e vendê-las nos mercados do Ocidente.

Há dois anos, segundo o popular jornal alemão, os cavalos tinham sido oferecidos à historiadora Magdalena Busshart por US$ 1,6 milhão, por um homem que afirmou ter trabalhado com Schalck-Golodkowski.

A maneira como as esculturas, junto com outras obras desaparecidas, chegaram ao depósito onde foram achadas ainda não foi esclarecida. A descoberta aconteceu graças a uma investigação realizada pela polícia de Berlim, na qual foram inspecionados edifícios em vários Estados federados na busca das obras roubadas. Ao todo, oito suspeitos, com idades entre 64 e 79 anos são investigados.