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La Lupi traz ao Brasil seu flamenco "natural e sem conservantes"

A dançaria flamenca Susana Lupiañez Pinto - Carlos Villalba R./EFE
A dançaria flamenca Susana Lupiañez Pinto Imagem: Carlos Villalba R./EFE

Isadora Camargo

De São Paulo

13/05/2015 23h00

Pela primeira vez no Brasil, Susana Lupiañez Pinto, conhecida como "La Lupi", apresenta no país um flamenco em sua essência "natural e sem conservantes", como a própria artista definiu seu espetáculo "RETOrno", no qual mistura conceitos de dança clássicos com o movimento contemporâneo.

O primeiro Espetáculo Internacional de Flamenco desembarcou em São Paulo sob o sapateado e protagonismo da bailaora cigana La Lupi, que interpreta sobre os tablados o estilo clássico dessa dança típica espanhola acompanhada do violão de Curro de María, seu diretor musical.

"Decidi voltar às origens da dança e notei que havia muito o que estudar no flamenco clássico e puro, recuperando sua natureza. Isso é retornar e, por isso, o espetáculo se chama "RETOrno", pelo fato de reciclar-me com algo que está no mais profundo do flamenco antigo", disse La Lupi em entrevista à Agência Efe.

Essas origens, traduzidas por La Lupi com seu "RETOrno", foram apresentadas na terça-feira (12) e na quarta-feira no Teatro Renaissance, de São Paulo.

Artista profissional há 30 anos, a malaguenha ressaltou em sua primeira visita ao país como dançarina que o flamenco é uma dança que "cativa os brasileiros" pela "similaridade" de sons e gestos com a música brasileira.

"Há muita similaridade. Muitos músicos flamencos, quando compõem, se inspiram nas tonalidades da bossa nova. Pouco a pouco o Brasil está criando festivais e educando o povo para que goste do flamenco", comentou a artista em referência ao aumento de espetáculos no Rio de Janeiro e em São Paulo.

A mistura de nacionalidades também contribui para esse auge do flamenco no Brasil, como comprova o grupo musical que acompanha La Lupi, integrado, além de Curro de María, por dois argentinos e oito dançarinas brasileiras que abrem seu espetáculo.

O toque do violão de Curro de María e as castanholas dão ritmo e compasso à gestual apresentação de La Lupi, que é guiada por canções tradicionais do flamenco espanhol e letras uruguaias e argentinas que totalizam duas horas de espetáculo.

Além disso, La Lupi apresenta solos com o tradicional manto colorido que acompanha as bailaoras de flamenco, "sapateando" por todo o palco em uma interpretação emocionante.

"O flamenco é minha vida, representa toda a Espanha, a cultura, o falar do povo e a expressão de diversas terras", destacou.

Ao contar um pouco de sua trajetória, a artista de 43 anos relatou que começou a aprender flamenco "com os ouvidos", aos três anos de idade, quando escutava as castanholas da vizinha e a musicalidade de seu pai.

Para combinar a dança clássica e o flamenco como uma cultura "pura", La Lupi se inspira em artistas mundialmente conhecidos como o russo Mikhail Baryshnikov e a dançarina sevilhana Pastora Império, a quem a malaguenha dedicou várias homenagens em seus espetáculos.

La Lupi e seu grupo já passaram por Argentina e Cuba e em sua aproximação com a América Latina e pretendem retornar ao Brasil, país que, segundo a artista, vive uma "disseminação" da cultura flamenca.

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