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Despretensão e elegância da mulher francesa são temas de mostra fotográfica

04/05/2015 06h07

Mar Selvas.

Paris, 4 mai (EFE).- Sempre na moda e aproveitando a vida em uma combinação perfeita de elegância e naturalidade, a ideia da parisiense impertinente e ao mesmo tempo refinada ficou gravada no imaginário coletivo. Mas o que há de real nela?

A Galeria ArtCube de Paris inaugurou a exposição "A parisiense", que tenta identificar pela fotografia a ideia de como são as mulheres da cidade e o "savoir faire" que as caracteriza.

Muitos são os que as colocaram diante de suas objetivas, vestidas ou nuas, posando ou flagradas. De Cartier Bresson a Willy Ronnis, todos mostraram fascinação em desentranhar a essência - ou o segredo - das parisienses.

Nesta mostra, os fotógrafos Patrick Chelli, Sylvia Galmot e Daniel Waks mostram sua particular visão deste clichê, apresentando uma mulher moderna que fuma, bebe e se move com graça entre o mundo da moda e a cultura.

"A mulher parisiense não é como a de outras cidades que corre pela rua com um café do Starbucks, ela prefere aproveitar seu tempo, sentar em um terraço e fumar um cigarro tranquilamente", contou à Agência Efe Jonathan Gervoson, curador da exposição.

Segundo Gervoson, um dos melhores lugares para encontrar as parisienses em estado puro é Sant Germain dês Prés, um dos bairros mais típicos de Paris, na margem esquerda do Sena, e onde está localizada a galeria.

Assim como as americanas "comem hambúrgueres, a parisiense come baguetes com queijo", um tópico talvez um tanto fácil que se reflete em algumas das imagens expostas.

A maioria de imagens são posadas, com mulheres belas e bem vestidas em pontos icônicos da capital, embora também haja algumas pérolas, imagens roubadas de mulheres lendo nas bordas do Sena ou esperando o metrô: as verdadeiras parisienses.

Em Paris, as mulheres não só usam saltos e se vestem com a alta costura, uma volta pela rua é suficiente para ver que calças jeans e as jaquetas estão na ordem do dia, sem que isso tire delas um milímetro de refinamento nem a individualidade.

Como escreveu o jornalista Jean-Louis Bory, "a parisiense é um animal lendário. Como o unicórnio. Sem que ninguém a tenha visto nunca, todos a conhecem".

As revistas, o cinema e a literatura deram asas a um clichê surgido no século XIX, quando as parisienses já despertavam fascinação entre suas vizinhas.

Os irmãos Goncourt as definiam assim em seu "Renée Mauperin": "Elas tinham tudo o que caracteriza a parisiense, sem serem belas, encontravam uma maneira de serem quase bonitas com um sorriso, um olhar, detalhes, aparências e lampejos de humor".

Ser parisiense não é tanto uma forma de se vestir quanto uma maneira de se comportar, uma forma de ser que representa uma mulher forte e segura de si mesma, com uma elegância natural que não abstrai de impertinência nem inteligência.

Apesar das imagens desta exposição estarem muito marcadas pelos tópicos clássicos, Chelli, Galmot e Waks conseguiram representar o paradigma da mulher com uma rica personalidade.

Bela, divertida, sensual e suave, mas, sobretudo, em perfeita simbiose com as ruas de uma cidade que respira modernidade e história em medidas iguais.