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Escritores exaltam contos de Gabriel García Márquez um ano após sua morte

AP Photo/Fernando Vergara
26.mar.2007 - Gabriel Garcia Marquez durante abertura da cerimônia do 4º congresso internacional da língua espanhola em Cartagena Imagem: AP Photo/Fernando Vergara

Gustavo Borges

Da Cidade do México

28/04/2015 10h06

Se o colombiano Gabriel García Márquez não tivesse escrito "Cem Anos de Solidão" ou qualquer outro romance, deveria receber o Prêmio Nobel de Literatura por seus contos, o lado menos divulgado de sua obra.

É o que pensam destacados escritores mexicanos, inclinados perante a perfeição de "O Afogado Mais Bonito do Mundo", "O Rastro de teu Sangue na Neve", "O Verão Feliz da Senhora Forbes", "Só Vim telefonar" ou qualquer outro dos 34 contos escritos por Gabo.

"O conto é uma flecha no centro alvo e o romance é caçar coelhos", costumava dizer García Márquez, que apesar de ter sido um mestre da caçada, beirou a perfeição nas 38 vezes que usou seu arco entre 1947 e 1982.

"Sempre defendi a capacidade contista de García Márquez, pouco conhecida porque foi um grande romancista. Seus contos me impactaram cedo", declarou à Agência Efe Ignacio Padilla, um dos escritores de contos mais prestigiados do México.

Este mês, quando os países hispano-americanos lembram o escritor no primeiro aniversário de sua morte, nas homenagens se repetem os nomes de Úrsula Iguarán, Florentino Ariza, Santiago Nasar e outros personagens de seus romances, mas também não faltaram os que lembraram seus contos.

O colombiano era ainda um estudante de direito no dia em que seu companheiro de apartamento lhe emprestou um livro. Após se deitar na cama e terminar de ler aquela joia ("A metamorfose", de Franz Kafka) era outra pessoa.

Naquela mesma noite de 1947, com seus 20 anos, García Márquez escreveu "A terceira resignação", um relato publicado no jornal "El Espectador".

Élmer Mendoza, dramaturgo e romancista, opina que após escrever muito mais tarde "Relato de um náufrago", uma obra na metade do caminho entre o jornalismo e a ficção, García Márquez encontrou a via por onde transitar com liberdade e apostou mais no romance, um gênero imperfeito no qual soube jogar com as situações, os personagens e os tempos.

"Os contos impõem restrições, mas mesmo assim os escreveu com mestria e devemos resgatar essa parte de sua obra. Eu fico com 'O rastro de teu sangue na neve', mas todos são impressionantes. Agora que saiu uma edição de todos seus contos, tenho um bom pretexto para relê-los", comentou.

Como fez em seus romances, García Márquez transformou em seus contos os fatos normais em excepcionais.

A vivência de uma companheira de assento adormecida em uma viagem de avião, ou a de um brutal aguaceiro iniciado na manhã de um domingo foram tocados pela pluma do homem nascido em Aracataca e terminaram transformadas em relatos redondos e belos.

"É normal que fosse um extraordinário contista porque ele sempre estava fazendo contos, como se diz na Colômbia e em Cuba. Meu favorito é 'Só vim telefonar', no qual não há nada de seu realismo fantástico, é uma das obras de terror mais intensas da literatura hispano-americana", opinou a romancista Rosa Beltrán.

Beltrán acredita que no volume "Doze contos peregrinos", o vencedor do Nobel se desquita dessa Europa que vê aos latino-americanos como seres exóticos criando personagens europeus com olhar rarefeito ou como criaturas estranhas que não sabem viver. EFE

gb/rsd

(foto)

 

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