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Arte de rua mostra amadurecimento na 3ª Bienal Grafitti em São Paulo

18/04/2015 18h59

(corrige segundo parágrafo).

São Paulo, 18 abr (EFE).- "O sucesso comercial é um fracasso para um grafiteiro", dizia Banksy, o artista de rua mais cotado do século XXI. No entanto, cada vez mais os pintores de aerossol buscam um espaço nas galerias, e inclusive nas Bienais, como na de São Paulo, uma das capitais mundiais do grafite.

A terceira edição da "Bienal Internacional Graffiti Fine Art" está aberta no Pavilhão das Culturas Brasileiras da capital paulista, um edifício projetado pelo arquiteto brasileiro Oscar Niemeyer na década de 50.

O pavilhão, no parque Ibirapuera, recebeu a Bienal de Arte de São Paulo em 1953, quando foi exposta uma das obras-primas do artista espanhol Pablo Picasso: 'Guernica'. Seis décadas depois, paradoxalmente, é o 'street art' que invade este espaço de 11 mil metros quadrados.

Apesar dos "preconceitos" que rodeiam o grafite, o curador da bienal, o grafiteiro Binho Ribeiro, ressaltou que a exposição representa uma mostra da arte contemporânea, apesar de isso "incomodar à sociedade acadêmica".

"As pessoas que acham barreiras entre o que é considerado arte e o que não o é. Trata-se de um conceito social, e não conceitual", disse Ribeiro em entrevista à Agência Efe.

Desde sexta-feira a bienal exibe obras de 65 artistas de rua de diferentes idades, nacionalidades e estilos que evidenciam a "evolução do trabalho da rua".

"Alguns (artistas) conseguem manter suas raízes vivas e nítidas, outros se transformam totalmente. Mas quando o autor é um grafiteiro respeitado, a obra sempre vai ser um grafite. O importante é a história na rua, o que construíram por causa da rua", comentou Ribeiro.

A massa de cimento que levanta a cidade de São Paulo se transformou em uma imensa oficina do século XXI para os artistas de rua do Brasil.

Mas nesta Bienal o grafite também sai dos muros para se transformar em escultura, em um boneco gigante ou inclusive uma obra com efeitos tridimensionais.

Um exemplo desta evolução sofrida pela arte de rua foi sintetizada pelo grafiteiro Narcelio Grud, que propôs uma obra interativa que combina o grafite tradicional, o som e o movimento.

"A bienal abre espaço para a experimentação e oferece uma segurança que as ruas não dão. A arte de rua amadureceu. Não há dúvida que evoluiu", assinalou Graud, que, após três dias de intensos trabalhos, pretende finalizar hoje sua obra 'Besouro e borboleta'.

Além do debate sobre a evolução do grafite, outra questão deslizava pela sala: É o sucesso comercial um fracasso para os grafiteiros, como dizia Banksy? Depende.

"Existe diferença entre a arte comercial e a arte 'comercializável'. O que é bom é 'comercializável', há interesse de alguém por adquirir e o artista tem liberdade. No entanto, quando o artista faz arte para ser vendida perde sua essência, se desamarra de sua origem e não pode ser considerado mais um grafiteiro", refletiu o curador.

A Bienal Grafitti Fine Art de São Paulo acontece até 19 de maio, mas a arte de rua continuará presente nas ruas paulistanas. Só é preciso olhar para os lados.

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