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Galeano era frequentador mais ilustre do café "El Brasilero", em Montevidéu

Rodrigo García

De Montevidéu

13/04/2015 17h39

Café mais antigo de Montevidéu ainda em atividade, o estabelecimento "El Brasilero" ficou nesta segunda-feira (13) sem seu cliente mais ilustre, o escritor e jornalista uruguaio Eduardo Galeano (1940-2015), que morreu nesta manhã aos 74 anos. O autor costumava dizer que aprendeu tudo o que sabia nesses lugares nascidos em uma época onde havia "tempo para perder tempo".

"Eu sempre paro aqui, é um café que tem atmosfera. É o último moicano de Montevidéu", dizia Galeano sobre "El Brasilero". "Eu sou filho dos cafés de Montevidéu. Cafés como esse, o mais antigo de todos. Cafés dos tempos nos quais havia tempo para perder tempo. Nos cafés, aprendi tudo o que sei. Foram minha única universidade. Aprendi o mais importante", explicou o autor em uma entrevista à emissora espanhola TVE, em 2006.

O escritor estava tão ligado a "El Brasilero" – aberto em 1877 e, desde então, reduto de intelectuais do país – que batizou um dos clássicos do cardápio: um café com creme, doce de leite e licor.

O autor de "As Veias Abertas da América Latina" (1971) costumava ocupar uma mesa à esquerda da porta de entrada do café, junto a uma grande vidraçaria, a mesma escolhida nesta segunda-feira por dois amigos, Guillermo e Santiago, para conversar e tomar algo. "Nós sabíamos que ele vinha aqui durante muito tempo, e justo nessa mesa que estávamos. Foi uma oportunidade para vir e desfrutar um pouco do bar", explicou Santiago, um jovem italiano radicado no Uruguai, à agência Efe.

Nesta segunda, os responsáveis pelo estabelecimento evitaram fazer declarações públicas, consternados pela notícia sobre a morte do homem a quem consideravam um amigo, e também por não desejarem aproveitar comercialmente a notícia de sua morte.

Galeano morreu em um centro hospitalar de Montevidéu, no qual havia sido internado recentemente em decorrência de uma das muitas recaídas que sofria por conta de um câncer de pulmão diagnosticado em 2007, informaram fontes familiares à Efe. O escritor foi operado naquele mesmo ano e, posteriormente, houve períodos em que seu estado pareceu melhorar.

O autor será velado nesta terça-feira (14) no Salão dos Passos Perdidos, no Parlamento uruguaio, informaram fontes oficiais. A despedida pública se estenderá das 15h até as 22h para que possam se despedir de Galeano todas as pessoas que assim desejarem, disseram à Efe fontes da presidência da República do país.

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