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Filmes e séries

Cinema e literatura brasileiras invadem Paris em grandes eventos culturais

De Paris

19/03/2015 11h00

Da literatura ao cinema, da história ao teatro musical, o Brasil ganha um notável protagonismo cultural nesta semana em Paris, onde inaugura como convidado de honra o Salão Internacional do Livro e acaba iniciar um ciclo sobre a cinematografia do país na Cinemateca Francesa.

A feira literária abrirá suas portas ao público nesta sexta-feira (20) para apresentar a produção brasileira e em particular a de 48 escritores convidados, entre eles alguns muito conhecidos, como Milton Hatoum, Paulo Lins, Nélida Piñon e Paulo Coelho, e outros emergentes, como Ana Paula Maia ou os quadrinistas Fábio Moon e Gabriel Bá.

Até 23 de março, espera-se que compareçam ao encontro 200 mil visitantes, deles 30 mil profissionais.

Desde sua vista privilegiada, o Brasil quer revelar a rica produção intelectual contemporânea, junto com a diversidade cultural e a universalidade literária, que conta com figuras importantes como João Guimarães Rosa (1908-1967).

O Centro Nacional do Livro (CNL) e o Instituto Francês, entidades dependentes do Ministério de Exteriores da França, convidaram 30 autores, e o Brasil, representado pelos ministérios de Cultura e Exteriores e a Câmara brasileira do livro, levou os 18 restantes.

A lista foi elaborada conjuntamente, com a assessoria literária de Leonardo Tonus, professor da Universidade de Sorbonne, e da escritora Guiomar de Grammont, explicou à Agência Efe o diretor do CNL, Vincent Monadé.

Os selecionados vêm da história em quadrinhos, da poesia, do teatro, da história, do conto, do romance, do ensaio e da literatura juvenil; abrangem campos temáticos como a ecologia, a arquitetura, o urbanismo e a ciência, e pertencem a diferentes gerações.

Houve uma tentativa, além disso, de respeitar a paridade entre homens e mulheres e refletir a diversidade do território brasileiro, assim como sua valiosa e múltipla composição étnica, acrescentou Monadé.

Em 1998, o Brasil ocupou pela primeira vez o lugar de honra do salão, que em 2015 conta com duas cidades polonesas convidadas, Cracóvia e Breslavia, terá stands de 1,2 mil editores de 50 países e anuncia em sua agenda 4,7 mil sessões de assinaturas e 300 encontros.

Cinema brasileiro invade Paris

Coincidindo com a abertura da feira, o cinema brasileiro brilha também desde esta semana na Cinemateca Francesa, para apresentar o cinema mudo de Humberto Mauro e Mario Peixoto, as comédias dos anos 50 e o "Cinema Novo" dos anos 60.

A cinematografia marginal da década de 70 e os primeiros longas-metragens da jovem geração de cineastas, como Kléber Mendonça Filho e Juliana Rojas, completarão este périplo cinematográfico, que poderá ser percorrido até 18 de maio.

A viagem inclui, entre outras entrevistas uma mesa-redonda sobre a história do cinema nacional, com a participação de cineastas iniciantes, em 21 de março, e uma jornada de curtas-metragens no dia 22.

De 7 a 14 de abril será realizado o XVII Festival do Cinema Brasileiro de Paris, liderado por oito ficções inéditas em competição, sete documentários filmes igualmente inéditos e uma dupla temática de cinema e literatura, prolongamento do Salão do Livro.

Mas também no próximo mês, na vizinha Montreuil, a Maison de Cultura 93 de Bobigny estreará junto com o jornalista cultural Rémy Kolpa Kopoul "K-RIO-K", peça de teatro musical inspirada nos dourados anos 20 e 30 do país.

O Brasil nos festivais de cinema

  • Divulgação

    Roterdã - 21/1 a 1º/2 - 15 filmes nacionais

    O festival holandês teve uma verdadeira invasão verde-amarela. Entre os títulos, estão longas e curtas que revelam que a regionalização da produção rendeu bons frutos, como "O Touro", de Larissa Figueiredo; "O Fim de uma Era", de Bruno Safadi e Ricardo Pretti; "Ela Volta na Quinta" (foto), de André Novais. Felippe Barbosa leva seu novo projeto para encontros com produtores e compradores.

  • Aline Arruda/Divulgação

    Sundance - 22/1 a 1º/2 - 1 filme nacional

    Reunindo cineastas independentes de todo o mundo, o festival de Robert Redford tem influência grande no mercado dos EUA. "Sundance valoriza muito o storytelling, o roteiro bem trabalhado. Meus filmes têm muito isso. E em geral ganham mais atenção no mercado americano e menos na Europa", comenta Anna Muylaert, cujo "Que Horas Ela Volta?" foi aplaudido de pé na sessão de gala no último domingo (25).

  • Divulgação

    Berlim - 5 a 13/2 - 14 filmes nacionais

    Após uma participação reduzida em 2014, Berlim contará com um recorde de títulos brasileiros. "Sangue Azul", de Lírio Ferreira, abre a mostra Panorama. "Estou muito feliz. Berlim tem uma cara muito de 'Sangue Azul', pelo caráter do filme", comentou o diretor. Entre os curtas, está nosso único concorrente ao Urso de Ouro, "Mar de Fogo", de Joel Pizzini. Há ainda dois projetos no Mercado de Filme.

  • Reprodução

    Cannes - 13 a 23/5

    Desde 2008, com "Linha de Passe", o Brasil não envia representantes à competição oficial. Já nas mostras paralelas, o Brasil tem tido lugar garantido. Para este ano, as apostas ficam com "Sinfonia da Necrópole", de Juliana Rojas (foto); "Meu Amigo Hindu", de Hector Babenco; "A Família Dionti", de Alan Minas; e "O Homem que Matou Minha Amada Morta", de Aly Muritiba, que pode ser a grande surpresa.

  • Divulgação

    Locarno - 5 a 15/8

    Locarno tem tradição de descobrir novos cineastas brasileiros e lançá-los ao mundo. Em 2014, além de uma seção especial para o Brasil, selecionou "Ventos de Agosto" (foto), de Gabriel Mascaro para a competição. Se não for selecionado para Cannes, "Sinfonia da Necrópole", que seduz pelo inusitado do musical em um cemitério, tem chance de integrar a competição ou mostras paralelas em Locarno.