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Rainha da arte da performance, Marina Abramovic faz megaexposição em SP

12/03/2015 10h00

Alba Gil.

São Paulo, 12 mar (EFE).- Desconecte-se. Desligue o celular e qualquer outro dispositivo móvel e os deixe na recepção, junto com outros pertences. Você entrará em uma sala com pessoas desconhecidas e verá a imagem da artista sérvia Marina Abramovic em uma tela à sua frente. Ela vai orientá-lo a realizar alguns exercícios de respiração antes de iniciar um número.

Primeiro os braços, depois os olhos e orelhas, e então o nariz e a boca. Quando você estiver totalmente relaxado, será orientado a colocar fones de ouvido, que vão te isolar do mundo ao redor: este é o momento que será congelado.

Durante as próximas duas horas e meia, você andará em câmera lenta, deitará sobre uma cama de madeira e de cristal, sentará em bancos e poderá acariciar, de pé, um pedestal. Se escutar bem, poderá até ouvir o silêncio.

A ideia é que o indivíduo se desligue e se concentre no aqui e agora, presencie o momento presente, que a tecnologia está roubando.

"A performance não é para o público. O público e o artista constroem a peça juntos, um não existe sem o outro", declarou Marina Abramovic durante entrevista coletiva de apresentação do número.

Com mais de 40 anos de trajetória e considerada uma das 100 pessoas mais influentes do mundo pela revista "Time" em 2014, ela convidou todos os que se atreverem a interagir com sua proposta artística.

"Quero trazer a arte para todos, quero que esteja disponível para qualquer pessoa, a qualquer momento", continuou Marina, que defendeu com veemência que "a função do artista é fazer com que o público tenha ciência sobre tudo que perdemos durante o dia".

Entre os instrumentos que a artista utiliza para alcançar tal objetivo estão os chamados 'Objetos Transitórios', que servem para conectar o público com a experiência da artista e sua prática em performances de longa duração.

"Quando jovem, eu estava muito interessada em conhecer outras culturas, mas depois me dei conta de que a ferramenta para expressar a minha arte era meu próprio corpo e que eu precisava compreendê-lo", relatou.

Essa aprendizagem pode ser acompanhada pelo público na retrospectiva "Terra Comunal - Marina Abramovic + MAI", que está em cartaz no Sesc Pompeia e é a maior exposição já produzida na América Latina sobre seu trabalho.

Na mostra, Marina exibe, ao lado de seu ex-marido - o também performer Ulay - vídeos, espaços e instalações que vão desde seus primeiros exercícios de repetição até trabalhos de resistência.

Em 2014, Marina se apresentou ao público londrino em '512 horas', performance na qual permaneceu durante o este período de tempo na Serpentine Gallery, onde esteve em "confronto direto com as pessoas". Mas foi a apresentação "a artista está presente" em 2010, no Moma em Nova York, que a lançou ao estrelato. Uma performance na qual ela se manteve imóvel, encarando fixamente quem quer que sentasse em uma cadeira a sua frente. Assim, Marina demonstrou "o poder transformador da performance".

"Saí do museu como uma celebridade. Não foi minha culpa", disse a artista, que rapidamente acrescentou que não hesita em "tirar proveito disto". E ela o fez, trazendo a arte da performance para o público e a consolidando como uma forma autônoma de arte.

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