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Marchinhas de carnaval embalam foliões em cidade histórica brasileira

15/02/2015 18h51

Isadora Camargo.

São Luiz do Paraitinga, 15 fev (EFE).- Milhares de pessoas fantasiadas com adereços multicoloridos ao som de tradicionais instrumentos de sopro e percussão tomaram as ruas da cidade histórica de São Luiz do Paraitinga, a 200 quilômetros de São Paulo, que comemora o carnaval há 35 anos ao ritmo das populares marchinhas.

"Vim atrás da música brasileira e as marchinhas são tradição do país. Queria muito viver essa folia, essa reunião de pessoas que toma as ruas em uma grande brincadeira entre amigos. No Chile, falta um pouco dessa energia", disse à Agência Efe o chileno Hector Moura.

As bandas dos 50 blocos oficiais e não oficiais da cidade embalam os foliões com as marchinhas temáticas, compostas para os carnavais das décadas de 1920, e que foram posteriormente substituídas pelos sambas-enredo das principais escolas de samba do país.

Além das marchinhas, são cantadas cerca de 2 mil composições locais no carnaval, revela o diretor de turismo de São Luiz do Paraitinga, Eduardo Coelho.

A cidade é um reduto dos foliões que buscam a batida dos bumbos e repiques, além do som dos saxofones das marchinhas, que falam de relacionamentos, bebês e até de religião, tornando a festa em um dos carnavais mais conhecidos do Brasil.

"Eu sou evangélica e tenho espaço no carnaval, pois minha igreja tem um bloco que sai todos os anos também para comemorar o festejo", contou à Efe a foliã Patrícia Bonfim.

Mesmo de baixo de chuva, cerca de 30 mil foliões encheram as ruas da cidade para pular "o verdadeiro carnaval", como classificou à Efe o integrante da banda de São Luiz de Paraitinga, Delfari Giovanelli.

"Não há carnaval como aqui, cheio de adrenalina, alegria e, claro, as tradicionais marchinhas que não são mais frequentemente tocadas no eixo dos sambódromos do Rio de Janeiro e de São Paulo, os mais visados do país. O carnaval verdadeiro é o de rua", destacou Giovanelli.

A chuva não preocupa os foliões e moradores do local, que acreditam que o carnaval "fez a cidade se alegrar e ressurgir nos momentos mais tristes", como a enchente do Rio Paraitinga em 2010, que deixou São Luiz do Paraitinga inundada, ressaltou à Efe a comissária de bordo Débora Vasconcelos, que veio de Washington.

Um das atrações mais famosas é o Bloco do Barbosa, que animou os foliões neste domingo com a música "Ô ô Barbosa essa é curva é perigosa, fica em frente nesta linha, eu vou falar para tia Rosa", anualmente cantada no município carnavalesco.

"São Luiz é certamente o encantamento e a raiz da festa popular do carnaval do Brasil", ressaltou a foliã.

Os blocos homenageiam personagens, lendas locais e reúnem jovens com idades entre 16 a 25 anos, que transformam a data em um momento de muita paquera em um clima de descontração e alegria, que se alastra por toda cidade.

O município também é conhecido pelo "Festival de Marchinhas", que acontece 15 dias antes do carnaval e elege as melhores do gênero, que serão tocadas e cantadas na edição do festejo.

Mas, São Luiz do Paraitinga, que atualmente é patrimônio cultural brasileiro, passou quase todo o século XX sem carnaval. Um dos integrantes da Igreja Católica proibiu todas as manifestações consideradas profanas e, a partir disso, surgiu um mito de que a festa fazia surgir "rabos e chifres" em quem a comemorasse.

Essa lenda prevaleceu até meados da década de 1980, quando o carnaval abriu as portas turísticas de São Luiz para o mundo, ganhando a classificação de "o carnaval de marchinhas mais tradicional do país", relembrando a festa que acontece em Olinda, em Pernambuco.

Na 35ª edição desde sua retomada, o carnaval da cidade espera receber 150 mil pessoas até a próxima quarta-feira.

Segundo a organização, a expectativa é deixar os turistas e foliões à vontade para curtir a maior festa pagã do mundo, marcando história entre os pequenos e tradicionais carnavais do país.

(foto) (vídeo)

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