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Bloco tem lama como principal fantasia no exótico carnaval de Paraty

15/02/2015 06h21

Paraty (Brasil), 15 fev (EFE).- O carnaval de Paraty é conhecido por uma fantasia inusitada, que combina o exótico e o terapêutico: a lama escura dos mangues dessa cidade histórica do litoral sul do Rio de Janeiro.

O desfile do Bloco da Lama, que acontece na próxima terça-feira, tem por ingrediente básico o barro negro do mangue da praia de Jabaquara, no qual cerca de 2 mil foliões devem mergulhar neste carnaval em Paraty, cidade colonial e patrimônio da humanidade.

Longe das fantasias coloridas, cheias de purpurina e acessórios típicos dos desfiles de rua do Rio de Janeiro, o grupo de "enlameados" se diverte da forma mais rústica possível, com o barro como protagonista absoluto.

"A lama une, espanta a energia ruim, purifica e revela a alegria que é o carnaval", disse à Agência Efe o coordenador do bloco, Ney Paraty.

Os foliões enlameados tentam resgatar seu lado mais primitivo e por isso participam de uma dança inspirada nos homens das cavernas que, segundo Ney, pretende trazer "à tona o outro lado do humano, o 'uga, uga'" de cada um.

Para isso, os foliões se cobrem de lama e trapos, alguns até utilizam adereços como crânios e ossos, imitando as tribos ancestrais com os gritos de "uga, uga, ha, ha".

Dessa maneira, percorrem os cerca de dois quilômetros que separam o mangue e as ruas de pedra de Paraty, antes de encerrar o desfile em frente a um palco musical.

Nessa mistura de lama, cultura primitiva e popular, o que prevalece é um "carnaval refrescante", disse à Efe o holandês Josh Vyerberg, que participa pelo segundo ano consecutivo.

"Vim sozinho e agora trouxe amigos. Me sinto muito bem, já que a lama é refrescante", disse.

O Bloco da Lama existe desde 1985 e, segundo os organizadores, surgiu de uma piada entre amigos, que usaram a lama do mangue para se proteger dos mosquitos e transformaram esta brincadeira em um símbolo do carnaval da cidade.

No entanto, também circula a lenda de que o barro foi um "protesto lamacento" contra a construção da usina nuclear de Angra 2, localizada na cidade vizinha de Angra dos Reis.

O bloco já se tornou tradição e a cada ano os moradores de Paraty, e um número cada vez maior de turistas, tornam a cidade colonial um ambiente mais "primitivo".

"Como parte da superstição, eu venho com um grupo de amigos todo ano ímpar para participar do Bloco da Lama, o melhor e mais diferente do Brasil", disse o farmacêutico, Douglas Sevilha, que vive em São Paulo.

A expectativa dos organizadores do bloco é transformar o carnaval da lama em uma tradição nacional e até levar seus rituais tribais para outros países.

ic/rpr

(foto) (vídeo)

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