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Começa julgamento de eletricista de Picasso acusado de esconder 271 obras

Eric Gaillard/Reuters
O eletricista aposentado Pierre Le Guennec, acusado de ocultar obras de Pablo Picasso Imagem: Eric Gaillard/Reuters

De Paris

10/02/2015 18h51

A Justiça da França tentará descobrir a partir desta terça-feira (10) se Pierre Le Guennec, eletricista de Pablo Picasso, e sua esposa Danielle, esconderam bens roubados, uma questão-chave no julgamento aberto contra o casal de aposentados que durante 37 anos conservou em sua garagem 271 obras do mestre espanhol.

No início da primeira sessão, foram projetadas imagens das peças que compõem o conjunto, entre elas sete pequenas telas, 28 litografias, dois cadernos de notas e várias colagens cubistas, que podem valer mais de 60 milhões de euros (R$ 192.488.656, no câmbio desta terça).

Todas elas foram criadas entre 1900 e 1932, são inéditas e não estão assinadas, algo impossível se fossem de fato um presente de Picasso, que segundo seus herdeiros sempre que dedicava um de seus trabalhos colocava o seu nome, lembrou à Agência Efe seu advogado, Jean-Jacques Neuer.

Segundo ele, após quatro anos de investigação, será possível provar que o casal mentiu quando afirmou que Jacqueline (então esposa do pintor) os presenteou com as obras. O advogado afirmou que houve "ocultação de bens roubados" e receptação, crime que na França não prescreve, ao contrário do roubo.

"São culpados, pelo menos, de ter escondido um bem roubado. Com isso já é suficiente. Não é preciso conhecer as circunstâncias exatas do roubo", explicou o advogado de defesa da família do pintor andaluz.

Perante o juiz, o casal defendeu sua inocência, no primeiro dos três dias de julgamento que acontece no Tribunal de Grasse, cidade vizinha de Mougins, onde se encontra a vila Notre-Dame-de-Vie, última residência de Picasso (1881-1973) e de sua segunda esposa, Jacqueline Roque (1927-1986).

"Picasso tinha uma fé cega em mim", declarou o eletricista de 75 anos, que entre outras tarefas chegou a ser segurança da casa de 35 quartos cheios de obras-primas, onde começou a trabalhar em 1970.

Para a família Picasso é difícil acreditar que o eletricista não soubesse o valor das obras em sua posse e ficam igualmente obscuras as razões pelas quais "esqueceu" em sua garagem esse valioso pacote que um dia Jacqueline lhe deu.

Embora Le Guennec tenha alegado ter querido organizar tudo após sofrer uma grave doença nos rins, continua sendo um mistério por que não expôs o fato ou se desfez das obras discretamente ao longo dos anos e por que demorou quase quatro décadas para tentar obter o certificado de autenticidade em Paris.

O pesadelo judicial que vive a família Le Guennec começou em outubro de 2010 na Picasso Administracion, único organismo autorizado a dar certificado oficial, na qualidade de gerenciadora dos direitos da obra do artista em nome dos herdeiros.

Para o advogado de defesa do casal, Charles-Etienne Gudin, que se apresentará na próxima quinta-feira, essa visita a administradora jamais teria sido feita por uma pessoa que quisesse se desfazer de um bem roubado após tê-lo conservado por anos.

"Teria sido muito mais fácil vendê-los um a um", explicou.

Segundo Gudin, não há ocultação de bens roubados, acusação que desde 2011 pesa sobre seus clientes, pois "não se pode ser ladrão e receptador ao mesmo tempo, pois há jurisprudência".

Além disso, no sumário de instrução diz claramente que Le Guennec "não é um ladrão", acrescentou o advogado, "convencido" da inocência de seus clientes.

Na França, a pena máxima por receptação é de cinco anos de prisão, 375 mil euros (R$ 1.063.050) de multa, além do confisco das obras.

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