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Loucura narrada por Machado de Assis chega à França em quadrinhos

Divulgação
Ilustração para adaptação de "O Alienista" em quadrinhos Imagem: Divulgação

Paris (França)

13/12/2014 16h23

Fábio Moon e Gabriel Bá desembarcaram na França com a adaptação para quadrinhos de "O Alienista", inspirada em um conto sobre a loucura de Machado de Assis, um dos grandes escritores da literatura brasileira e do realismo latino-americano.

"O maior desafio foi respeitar o que acho que é a força do original, o engenho e a ironia no emprego das palavras, e transportá-lo à história em quadrinhos acrescentando uma camada visual à história", explicou à Agênca EFE Moon, roteirista do romance gráfico editado pela Urban Comics na França, o maior mercado da Europa.

Nesta edição, o destino de Simón Bacamarte, um obstinado cientista dedicado a decifrar as chaves da demência é descrito em 70 páginas.

Em Itaguai, no interior do Rio de Janeiro, Bacamarte funda a Casa Verde, onde interna os desequilibrados da cidade para estudar as várias dimensões da loucura.

O metódico doutor causa uma onda de medo e indignação ao começar a internar notáveis da cidade, a quem acusa de ter perdido suas faculdades mentais.

A espiral gerada por Bacamarte cria uma história em quadrinhos interessante tanto para "quem gosta de Machado e para que só quer um bom história em quadrinhos e nunca tinha ouvido falar do original", resumiu Moon, de 38 anos e amante de autores como Moebius, Cyril Pedrosa, Frederik Peeters, Gipi, Toppi, Emanasse e Hugo Pratt.

Moon escolheu o conto "O Alienista", escrito em 1882 por Machado de Assis (1839-1908), um clássico da literatura brasileira e latino-americana, porque tenta trabalhar com histórias que tenham "potencial para alcançar uma audiência mais ampla que só a brasileira", comentou.

E entregou os lápis a seu irmão gêmeo, que desenhou um livro em preto e sépia.

"Na França a história em quadrinhos tem muito boa recepção, boa leitura e boa discussão. Sinto que posso participar disso se meu trabalho for lido ali", explicou Moon, que considera que o universo brasileiro da história em quadrinhos nos últimos anos está crescendo e se diversificando.

"Durante muito tempo, os artistas brasileiros queriam fazer histórias em quadrinhos bem para crianças, de super-heróis ou 'underground'. Agora há todo tipo de quadrinhos, de tamanhos, extensões, estilos e vozes. É um grande momento para fazer quadrinhos no Brasil embora a maioria dos artistas não possam viver só disso", explicou.

Além disso, Moon acaba de terminar, junto com seu irmão, o álbum "Dois Irmãos", uma adaptação do escritor brasileiro contemporâneo Milton Hatoum, que descreve como a história em quadrinhos "maior e mais complexa" que enfrentou desde "Daytripper" (2010) e que será lançada no país em março.

 

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